Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Segunda, 19 de Abril de 2021

Sidrolândia

Em 3 meses de pico da pandemia, só um dos 32 pacientes intubados está curado

Conforme os dados atualizados até a última segunda-feira, o índice de letalidade dos pacientes que passaram a depender de ventilação mecânica, supera 79%.

Flávio Paes/Região News

07 de Abril de 2021 - 09:57

Em 3 meses de pico da pandemia, só um dos 32 pacientes intubados está curado
Um dos pacientes internados na ala do hospital Elmiria Silvério Barbosa. Foto: Marcos Tomé/RN

Por traz da trágica estatística de mortes por Covid-19 em Sidrolândia, que só nos primeiros 6 dias de abril registrou 11 óbitos, um dado especificamente é assustador: dos 32 pacientes internados e intubados no Hospital Elmiria Silvério Barbosa, 25 morreram,  só um conseguiu se recuperar, seis seguem entubados.

Conforme os dados atualizados até a última segunda-feira, o índice de letalidade destes pacientes que passaram a depender de ventilação mecânica, supera 79%, ou seja, praticamente de 10 cada pessoas que entram  neste procedimento, 8 morrem, tomando como base que desde a atualização destes dados, mais duas pessoas morreram. Só 3,12% se curou 21,81% está em tratamento e o restante , 75,07% morreram.

Levantamento da Associação Brasileira de Medicina Intensiva, abrangendo 625 hospitais, entre públicos e privados, mostra que 52,9% dos pacientes com Covid-19 internados pelo SUS, vem a óbito, enquanto nos hospitais privados, este índice cai para 29%.

O médico intensivista Fábio Luiz, responsável técnico pela ala vermelha onde ficam os pacientes mais graves de Covid-19, não tem dúvida de que este cenário em Sidrolândia não vai mudar, segue uma estatística nacional em unidades com a mesma estrutura do hospital Elmíria Silvério Barbosa. “De 10 pacientes entubados, 8 não vão resistir”, sentencia. Ele reconhece que o CTI montado ano passado não tem um suporte adequado (de equipe e equipamentos) para habilitação como unidade de tratamento intensivo.

Foi uma estratégia emergencial, montada ano passado, para fazer o acolhimento inicial dos pacientes graves, antes de encaminhá-los para Campo Grande, onde estão os hospitais de referência dos atendimentos de alta complexidade.

O colapso está mais visível porque em 2020, conforme o intensivista, o fluxo de pacientes graves com Covid-19 se diluiu ao longo de 6 meses (entre junho e dezembro) e havia uma rotatividade maior dos leitos porque se conseguia vagas na rede em Campo Grande onde eram encaminhados aqueles em estado grave. Março foi o mês mais letal, 40 óbitos dos 88 registrados até ontem à noite.

Em 3 meses de pico da pandemia, só um dos 32 pacientes intubados está curado

Ano passado, foram 255 internações de pacientes com síndrome respiratória grave (SRAG), destes, 114 ,57% do total z testaram positivo para a Covid, 33 morreram, 23% de letalidade. Destas pessoas, 17 faleceram em Sidrolândia e 16 em hospitais da Capital. Em 90 dias, foram computadas 191 internações por SRAG, 74% das registradas no ano inteiro de 2020.

Destas pessoas, 146,77%, testaram positivo para o novo coronavírus, 35% morreram, somando 52 óbitos, a maioria, 33 (63%) morreu no hospital da cidade e 19 na capital.  O curioso é que a cidade, conforme o boletim epidemiológico de ontem da Secretaria Estadual de Saúde, acumula quase dobro de mortes que Maracaju (44 a 81), onde não há um só leito de UTI e todos os pacientes graves são levados para Capital ou Dourados.

Diante do agravamento da pandemia, com uma segunda onda em que o vírus está muito mais agressivo, atingindo até os mais jovens, não há vagas nos hospitais da Capital e com isto os pacientes estão tendo que ficar em Sidrolândia, onde só há sete respiradores (dois deles improvisados) e não há recurso (seja de médicos especialistas ou de equipamentos para exames mais sofisticados) para aqueles casos que evoluem para insuficiência renal, acidente vascular cerebral, infarto.

Instalar mais respiradores, por exemplo, que é uma cobrança recorrente das redes sociais, seria inviável, porque a tubulação de oxigênio disponível no hospital não teria como bombear até os ventiladores. Para garantir o funcionamento desta estrutura, o hospital teve de comprar às pressas um compressor mais potente.