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Sidrolândia

Em Sidrolândia, 1ª vítima do coronavírus se mantém isolada mesmo com o fim da quarentena

A enfermeira praticamente está em auto isolamento desde o dia 13 de março, quando passou a usar a máscara e tomar as medidas de segurança.

Flávio Paes/Região News

31 de Março de 2020 - 11:29

Em Sidrolândia, 1ª vítima do coronavírus se mantém isolada mesmo com o fim da quarentena

Oficialmente terminou nesta segunda-feira (30) a quarentena de 14 dias a que se submeteu desde que chegou a Sidrolândia, retornando da França. Entretanto, Tatiane Nantes, diretora geral da Secretaria Municipal de Saúde, até agora o único caso confirmado de coronavírus na cidade, resolveu adotar uma postura ainda mais cautelosa e estendeu o isolamento por mais uma semana.

Como já transcorreram mais de duas semanas sem que tenha havido agravamento do seu quadro, Tatiane, não corre risco de transmitir o vírus COVID-19 porque seu organismo, produziu defesas. Mesmo assim, pretende se manter isolada dos familiares provavelmente por mais alguns dias e só volta a dar expediente de forma presencial na Secretaria de Saúde, a partir da próxima segunda-feira, dia 6.

Até lá, manterá rotina de trabalho home office, orientando a ação das equipes por telefone ou videoconferências, em contato permanente com o secretário Nélio Paim, que também a consultou sobre as medidas de flexibilização da quarentena para o setor comercial.

A enfermeira praticamente está em auto isolamento desde o dia 13 de março, quando passou a usar a máscara. Em São Paulo, ficou sozinha no hotel e chegou a Sidrolândia no dia 17. Deste então, manteve a reclusão voluntária. Ela conta que vê o filho apenas de longe, quando traz as refeições e deixa no portão da casa.

Foto:Divulgação

Além das tarefas inerentes ao trabalho, manteve rotina de leituras e intervalos para reforçar a espiritualidade com momentos de oração. Tatiane teve sintomas leves da doença (tosse leve e um pouco de dor de cabeça), ao contrário de uma das suas companheiras de viagem, a ex-secretária de Desenvolvimento Econômico, Elaine Brito, negativa para o coronavírus, mas que foi acometida de um forte resfriado, teve febre, dores no corpo e chegou a ser levado de ambulância para atendimento no Hospital Elmiria Silvério Barbosa

Ela acredita que é necessário manter a estratégia do isolamento social para evitar a disseminação do vírus. “Não sou eu quem diz, mas a Organização Mundial da Saúde e todas as autoridades sanitárias e científica do mundo, entendem que o distanciamento social horizontal é a medida adequada. É a única maneira de conter a disseminação do vírus e a contaminação em grande escala e com isto provocar o colapso do sistema de saúde. Muitas pessoas já estão e ainda serão infectadas, mas que esse número seja gradativo. O sistema de saúde não suportará se as pessoas ficarem doentes ao mesmo tempo”, argumenta.

Ele acredita que quando começar a chegar os kits de exames (até agora restrito aos pacientes internados) certamente o número de casos em Sidrolândia, assim como no restante do país, será grande. A enfermeira, deixa claro que o coronavírus não provoca apenas um resfriadinho, ou uma gripezinha.

“Traz uma série de complicações porque é extremamente agressivo. A sua progressão e a evolução dos sintomas acontecem de forma rápida e intensa. Tem resistência e a remissão da doença é lenta. A chance do paciente, ainda que seja saudável, evoluir para complicações mais graves é muito grande”, explica Tatiane.