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Sidrolândia

Famílias ignoram liminar e área no Diva Nantes já tem mais de 100 barracos

Após decisão da juíza Silvia Tedarti da Silva, que determinou a desocupação da área do Diva Nantes, mais famílias estão chegando e construindo barracos.

Flávio Paes/RN

23 de Maio de 2021 - 19:27

Famílias ignoram liminar e área no Diva Nantes já tem mais de 100 barracos
Ademildo Marcos e Joceli de Oliveira. Foto: Marcos Tomé

Transcorridos 10 dias da decisão da juíza Silvia Tedarti da Silva, que determinou a desocupação da área do Diva Nantes, mais famílias estão chegando e construindo barracos. Já são 100 e há pelo menos 150 numa lista de espera preparada por Wilson Vasques. Ele é de Campo Grande onde organizou uma grande invasão na área da Construtora Homex com mais de 1.300 famílias e ano passado foi candidato a vereador pelo PP, mas só obteve 162 votos.

No grupo de sem teto há famílias como de Ademildo Marcos, 48 anos, que em companhia da mulher, Joceli de Oliveira e dos filhos, a filha de 26 anos está grávida, tem esperança de garantir um terreno. O casal, natural de Eldorado, está em Sidrolândia desde 1989, neste tempo todo não conseguiu ser contemplado por projetos habitacionais da Prefeitura, embora estejam inscritos desde 2005. Ademildo trabalha no Frigorífico Balbinos, ganha R$ 1.308,00, tem um orçamento apertado porque paga R$ 500,00 de aluguel, as contas de água e luz, levam mais R$ 350,00. Sobra muito pouco para as despesas. "Vamos ficar aqui. Se a polícia vier para fazer o despejo, a gente sai e volta dois dias depois", assegura.

Área para projeto

Famílias ignoram liminar e área no Diva Nantes já tem mais de 100 barracos

A área de 6 hectares no Diva Nantes foi adquirida há 6 anos pela Prefeitura, por R$:600 mil, para um projeto habitacional. No último dia 10 um grupo de 100 pessoas quebrou a cerca, iniciou a delimitação da gleba em lotes de 10 x 20 e começou a erguer os barracos. Na sua decisão a juíza acolheu os argumentos da Prefeitura, de que além de entrarem num imóvel do município destinado a implantação de um projeto habitacional, os invasores iniciaram o desmatamento de uma área de preservação existente dentro do terreno.

No processo os advogados do município anexaram boletim de ocorrência, para demonstrar que "houve esbulho, ato de posse precária, em razão da invasão". Inicialmente a área foi entregue para a Construtora Ideal edificar 242 casas populares. Em 2017, o projeto foi cancelado e no ano seguinte, a área foi entregue a Engepar Engenharia, habilitada por edital, mas até agora o projeto não saiu do papel. Na semana passada a empreiteira foi notificada e corre o risco de perder a área.