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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 26 de Novembro de 2020

Sidrolândia

Grupo de mulheres convoca protesto em defesa de servidora que acusa ex-vereador de assédio moral

O episódio que acabou desencadeando a convocação deste protesto foi nesta quinta-feira à tarde em frente da Divisão de Transporte e Trânsito.

Flávio Paes/Região News

30 de Outubro de 2020 - 18:13

David Olindo, ex-presidente da Câmara.

Um bate-boca entre a funcionária Patrícia Lopes e o ex-vereador David Olindo, virou o mote para um grupo de mulheres liderado pela enfermeira Cleide Roque, diretora da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) convocar um protesto na praça central neste sábado a partir das 8  horas, para segundo ela , "dar um basta" nas atitudes do ex-vereador e também condenar qualquer forma de violência contra a mulher, seja física ou verbal.

Pelas redes sociais há várias manifestações em solidariedade a servidora, como da ex-secretária Municipal de Desenvolvimento Econômico, Elaine Brito.  A candidata a vereadora pelo PP, Vanda Camilo,  também deixou claro: “Repudio toda e qualquer forma de violência. Repudio toda e qualquer forma de violência. Sem partidarismo e sem lado. Sou mulher e não vou me calar. Não poderia deixar expressar meu apoio e a todas as mulheres”.

Em suas lives quase diárias, segundo Cleide, David “agride verbalmente as mulheres de um modo geral, as ofendendo, chamada-as de cadelas, vagabundas”. Ela garante que independente do número de pessoas que estiverem na praça neste sábado, "vamos protestar e na terça-feira iremos nos  manifestar em frente da Câmara", que tem como presidente o vereador Carlos Henrique, filho de David.

O episódio que acabou desencadeando a convocação deste protesto foi nesta quinta-feira à tarde em frente da Divisão de Transporte e Trânsito. David Olindo foi para frente da Divisão para averiguar a denuncia de que um o candidato a vereador estaria fazendo uma reunião política numa repartição pública em pleno horário de expediente. Ao avistar um carro em frente da Divisão, com adesivos do candidato e que ele imaginou ser de Claésio Lachner, David passou a fazer uma transmissão ao vivo pelo Facebook para denunciar o suposto crime eleitoral. De forma insistente cobrou que Claésio se apresentasse.

Em determinado momento, Patrícia saiu do prédio da repartição público e passou a confronta-lo sobre um processo em que contratou David como advogado para cobrar pensão alimentícia do pai dos filhos. Segundo a versão da servidora, o ex-vereador teria respondido a ofendendo. "Ele passou a gritar que não advogava para cadela, vagabunda, ratazana, uma atitude que não posso aceitar", afirma Patrícia Lopes que imediatamente se dirigiu a Delegacia de Polícia onde fez o boletim de ocorrência.

Patricia garante que não procede a denuncia de que o candidato Claésio estaria fazendo uma reunião política numa repartição pública. "Isto não é verdade. O que o ex-vereador viu em frente da repartição foram carros de funcionários, estacionados fora da repartição, com adesivos de candidatos da preferência dos funcionários, que tem o direito de se manifestar politicamente". A mesma atitude, registrar boletim de ocorrência, tomou a chefe da Divisão de Trânsito, Rosilaine Moreira que em outras ocasiões, também teria sido alvo de palavras ofensivas por parte do ex-vereador.

Ouvido pela reportagem, o ex-vereador David Olindo negou que tenha dirigido palavras ofensivas a servidora ("vagabunda", "cadela"), quando bateu boca com ela. Admite que a chamou de “ratazana', numa alusão ao irmão dela, o secretário de Governo, Clayton Ortega, a quem David acusa de liderar supostos esquemas de corrupção na Prefeitura. ”Quando está mulher me dirigiu a palavra, confesso que eu nem sabia quem era. Começou a me ofender com palavras de ordem e baixo calão, foi quando me fez a cobrança de um processo. Para deixar claro, eu nunca advoguei para essa mulher. Fiz um requerimento pedindo a transferência do processo de pensão alimentícia de Dourados para Sidrolândia, pedido indeferido pelo juiz porque não houve o subestabelecimento processual. Eu não fui lá pra ofender ninguém. Fui lá pra averiguar uma denuncia e constatei os fatos", conta o ex-vereador.

David Olindo se diz vítima de uma mobilização política orquestrada pelo MDB com intuito de prejudicar a campanha eleitoral do filho, o já citado presidente da Câmara, Carlos Henrique Olindo. “Vieram dizer que meu filho estava comigo, o que é uma mentira”, revela.