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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Segunda, 28 de Setembro de 2020

Sidrolândia

Já no 2º dia de quarentena, boletos, queda de renda, tiram o sono de microempreendedores

Se em tempos normais, empreender é um desafio diário, imagina num cenário de pandemia.

Flávio Paes/Região News

25 de Março de 2020 - 15:01

Se em tempos normais, empreender é um desafio diário, imagina num cenário de pandemia, onde a receita para tentar evitar o pior são medidas de isolamento social, toque de recolher, quarentena. Sidrolândia entrou só no 2º dia de comércio praticamente fechado (com exceção de supermercados e postos de combustível) e algumas questões práticas estão tirando o sono de muitos microempresários. A ameaça do coronavírus não vai evitar a chegada dos boletos bancários, das contas de  água, luz, internet e alguns casos o aluguel do prédio e o salário dos funcionários.

Quem vivência está situação é o comerciante Wiliam Nascimento, dono de uma loja de confecções que abriu na frente de sua casa no Bairro São Bento. Com R$ 5 mil em boletos para pagar sua preocupação agora é manter contato com clientes para receber deles as parcelas das vendas a crédito que fez para eles.

O barbeiro Júnior Lopes, viu o movimento cair neste período, nem cogita parar de trabalhar durante a quarentena. Pai de gêmeas, sem outra fonte de renda, Júnior está preocupado. " Minhas filhas levantaram hoje cedo e pediram bolacha. Elas não querem saber se tem ou não dinheiro ", ele comenta.

Preocupados mesmos estão os microempreendedores Rodrigo Mello e Eudes Ferreira, sócios da Barbearia São Miguel, na Rua Mato Grosso. A barbearia, que recebia em média 20 clientes por dia pagando R$ 25,00 por corte ou barba. Descontados os gastos aluguel (R$ 800,00); água (R$90,00), energia (961,00), além do salário da atendente (em torno de R$1.200,00), cada sócio fatura R$ 2 mil por mês.

Confinados em casa, não sabem como irão pagar as contas do mês como: aluguel, água e energia. Como sobrevivem da atividade diária e por se tratar de um negócio de pouco giro, não dispõe de reservas econômicas. Segundo Rodrigo Mello, que falou com a reportagem do RN por telefone, para este mês ainda vai conseguir honrar com alguns compromissos devido ao movimento do inicio do mês, mas não terá condições de honrar compromissos caso permaneça isolado sem trabalhar. “Meu sócio, por exemplo, paga R$ 500 de pensão, tem família, uma criança pequena em casa. Não será uma tarefa fácil”, revela Rodrigo.

Eudes Ferreira. Foto: Reprodução

O medo de contaminação faz com que as pessoas fiquem em casa. Este comportamento de precaução reduziu em 70% o movimento no Salão da Miryam que funciona em uma peça na casa da proprietária, na Rua: João Straliotto, no Morada da Serra. Antes do coronavírus atendia em média 10 clientes para serviços de manicure. Nesta quarta-feira, por exemplo, até por volta das 10 horas só uma cliente havia aparecido. Muitas mensalistas, que estão em casa porque as empresas onde trabalham estão fechadas, dispensaram as babás e cortaram o pacote mensal de serviços.

Ela e o esposo, o mecânico Giovani Souza, de 34 anos, estão cuidando das crianças, um casal de filhos com idades entre 10 e 15 anos. O marido sai, vez e outra para prestar socorro a clientes que fazem agendamento.  Estamos passando por este momento tenso e acredito muito que tudo ficará bem. Eu, particularmente, não sou de gastar então, acredito que minhas reservas vai dar pra passar por esse momento de tensão”, revela Miryam.