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Sidrolândia

Polícia desmonta farsa do PCC que forçou adolescente a assumir assassinato de Soldadinho

Flávio Paes/Região News

24 de Novembro de 2020 - 13:39

Namorada de Ivaldo e o adolescente que foi forçado a assumir a autoria do crime, durante abordagem no dia do crime. Foto: Divulgação/PM

Após um mês de investigação, a Polícia Civil conseguiu elucidar a morte de Ivaldo Pereira Rocha Júnior, o Soldadinho, morto com 4 tiros no rosto na madrugada do último dia 11 de outubro numa unidade de reciclagem na Rua João Marcio Ferreira Terra. Nesta segunda-feira a polícia prendeu Maicon Marcon Orico, 31 anos, o Nenê do PCC e Fernando Torres, 33 anos, apontados como responsáveis pelo homicídio. Na casa de Maicon, na Rua Evaristo Roberto Ferreira, os policiais encontraram uma arma de fogo, munições, além de R$ 11.139,00 em espécie, dinheiro que teria conseguido com a venda de droga. Ele teve a prisão preventiva decretada pelo Judiciário.

Arma de fogo, munições, além de R$ 11.139,00 em espécie. Foto: Divulgação

Os dois, integrantes da organização criminosa tentaram ludibriar a polícia forçando um adolescente, M.N.G, de 15 anos, que testemunhou a execução da vítima, 4 dias após o homicídio, se apresentar na delegacia acompanhado de advogado, com a arma do crime e assumir a autoria do assassinato. Prestou depoimento e foi liberado já que havia passado o flagrante.

A própria namorada de Ivaldo, que estava com ele quando foi morto, apontou Nenê do PCC como o autor dos disparos. Junto com ela, estava o adolescente, que foi abordado pelos policiais, mas mandado pra casa porque tudo indicava não ter envolvimento no crime. Estava por acaso na região perto da praça do Bairro São Bento, onde usuários e traficantes perambulam durante a noite e madrugada, nem portava armas. Além disso, o garoto não aproveitou para fugir diante da aproximação das guarnições da Polícia Miliar.

A Polícia não divulgou o que teria levado Maicon (autor dos disparos) e Fernando (seu cúmplice) a cometerem o crime, se seria uma retaliação a Ivaldo. Horas antes ele havia matado no Assentamento Jabotá, Rodrigo Queiroz, temido pela vizinhança porque expulsou o antigo morador do barraco transformado por ele num ponto de venda de drogas.

Ivaldo Pinheiro Machado, o soldadinho e Rodrigo Queiroz. Fotos: Reprodução

Segundo a Polícia Civil, Maicon é um dos líderes do PCC em Sidrolândia, um dos homens de confiança de José Cláudio Arantes, o Tio Arantes, que está no topo da hierarquia da organização criminosa no Estado. Ele foi um dos líderes da rebelião ocorrida em 2006, quando quatro presídios do Estado foram destruídos e um detento foi morto e teve a cabeça cortada e exibida pelos amotinados.

Maicon, antes de ser preso nesta segunda-feira, cumpria em regime semiaberto a pena de 5 e 10 anos a que foi condenado em outubro de 2016 e um ano estaria quite com a Justiça. Ficou preso em regime fechado até 15 de agosto de 2018 quando conseguiu progressão para o regime semi-aberto na Gameleira e conseguiu transferência para Sidrolândia.

Nenê do PCC foi preso, em companhia de Dyonatan de Mello Dutra, dia 22 de abril de 2016, quando transportava pouco mais de um 1 kg de cocaína. Eles foram abordados na Avenida Américo Carvalho Bais, no Jardim Zé Pereira, quando transitavam num veículo Astra.

Minutos antes, eles haviam pego a droga com João Aparecido de Jesus, Jean Carlos Cardenas e José Cláudio Arantes que também foram presos na mesma operação policial. Tio Arantes morava perto do local da abordagem, os fundos da unidade de campo da Agraer em Campo Grande, onde foram encontrados 31 papelotes de cocaína.