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Sidrolândia

Sem-teto mantém grupo de plantão na área ocupada e representantes de proprietários fizeram vigília

A presença de representantes dos proprietários, não convenceu as 34 famílias de sem teto a deixar a área.

Flávio Paes/Região News

13 de Outubro de 2019 - 20:59

Sem-teto mantém grupo de plantão na área ocupada e representantes de proprietários fizeram vigília

Transcorridos mais de 48 horas da ocupação, um grupo de seis famílias de sem-teto se mantém nos barracos que ergueram na área de 2 hectares vizinha a antiga esplanada da Rede Ferroviária Federal. Representantes dos proprietários, que pernoitaram no local, tomando cerveja e saboreando churrasco, não apareceram neste domingo.

A presença de representantes dos proprietários (metade da área é dividida entre 10 herdeiros do ex-prefeito Epaminondas Brum), não convenceu as 34 famílias de sem teto a deixar a área, mas inibiu a construção de mais barracos. A líder do grupo, que se identifica como Michele, diz que só haverá desocupação por ordem judicial ou se os proprietários apresentarem escrituras, comprovando que a área não é uma extensão da antiga esplanada.

Este mesmo argumento ela utilizou diante dos policiais (14 deles do batalhão de choque da PM) que sábado à tarde vieram de Campo Grande para tentar convencê-los a deixar a área.

Em contato com a reportagem, Valdivino Sandim, que é dono de 10 dos 20 mil metros quadrados, por enquanto não cogita entrar na Justiça para pedir reintegração de posse. Ele vai insistir em pedir a intervenção da Polícia para convencer os sem-teto a desistir da invasão mesmo sem ordem de judicial. Antes da ocupação de sábado encaminhava a venda de 3.600 metros quadrados e os 6.400 remanescentes, planeja cercar para evitar novas surpresas.

Os 2 hectares pertenciam ao primeiro prefeito de Sidrolândia, Epaminondas Rodrigues Brum. Com a morte da esposa, o ex-prefeito teria vendido metade da área para o neto, Enéias Rodrigues Brum e outra metade está em processo de inventário para beneficiar 10 herdeiros. Enéias vendeu os seus 10 mil metros quadrados para o produtor rural Orlei Martins Terra, que os revendeu para o senhor Valdivino.

Conflito urbano

Este é o segundo conflito fundiário em pleno centro de Sidrolândia. Desde junho do ano passado, 136 famílias ocupam 4,6 dos 14 hectares da antiga esplanada ferroviária. O grupo praticamente se livrou do controle do MST, se organizou numa associação e busca regularização da propriedade com base na lei federal do Reurb (Regularização Fundiária Urbana).

Nesta nova investida, há pessoas até de cidades vizinhas, lideranças como dona Michele, que estaria em busca de um lote para os filhos, já que tem casa própria. Estariam sendo orientados por um advogado.