Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Segunda, 21 de Setembro de 2020

Sidrolândia

Sidrolândia entra no 20º dia de quarentena, com 58% da população nas ruas e ignora isolamento

Com apenas um caso confirmado, o da enfermeira Tatiane Nantes, que não teve sintomas, cumpriu a quarentena e voltou a trabalhar, Sidrolândia vive nesta quinta-feira o 20º dia de quarentena

Flávio Paes/Região News

09 de Abril de 2020 - 11:51

Sidrolândia entra no 20º dia de quarentena, com 58% da população nas ruas e ignora isolamento

Com apenas um caso confirmado, o da enfermeira Tatiane Nantes, que não teve sintomas, cumpriu a quarentena e voltou a trabalhar, Sidrolândia vive nesta quinta-feira o 20º dia de quarentena, com recomendação das autoridades de saúde para as pessoas ficarem em casa.

A julgar pelo monitoramento feito por geolocalização, 58% da população sidrolandense não se convenceram que o mundo vive uma pandemia do Covid-19, continuam circulando, aglomerando dentro nos supermercados, em rodas de conversas nas praças.

Na última terça-feira o prefeito Marcelo Ascoli, fez algumas adequações no decreto da quarentena, proibida que crianças entrem nos estabelecimentos comerciais e recomendou que os idosos e integrantes do risco só saiam as ruas das 8 às 10 e das 14 às 16 horas.

Como praticamente não há fiscalização, as restrições viram letra morta. O que mais se observa, principalmente nas filas dos bancos e lotéricas, são idosos. Desde segunda-feira, foi ainda maior a concentração de quem já está na terceira idade por causa do período de recebimento das aposentadorias.

Foi o caso da aposentada Maria Quirino, 68 anos, residente no conjunto habitacional, Carandazal, que nestes tempos de quarentena não tem saído de casa, nem mesmo sentar no final da tarde na calçada, para conversar com os vizinhos e apreciar o movimento. De máscara, saiu cedo para receber o benefício que estava na conta desde o dia 4. “Como fiz biometria, não tem jeito, só eu posso sacar o pagamento”, justifica.

O assentado Natalício Gimenez, 64 anos, veio à cidade enfrentar a fila para ser atendido no banco, porque precisava pagar um boleto na boca do caixa. Ele mora há 13 anos no Assentamento Santa Lúcia, com a mulher, dona Delmira Martinez, de 58 anos e o pai de 96 anos que não tinha conseguido trazer para sacar o pagamento. Ele reclama que desde o início da quarentena, tem enfrentado dificuldade pra vender, frango caipira, além da produção de queijo e hortaliças.

Em média só 42% da população de Sidrolândia tem ficado em isolamento social. Este índice melhora no domingo, quando 54,1% das pessoas ficaram em casa, o que natural por se tratar de um dia de folga, quando os supermercados estão fechados. O Estado tem alcançada uma taxa de isolamento social de 48,20%, resultado que no plano nacional, só é melhor que Tocantins com 46,70%.

Diante das estatísticas que apontam para um possível pico da pandemia em Mato Grosso do Sul que pode sobrecarregar o sistema de saúde, o governador Reinaldo Azambuja reforça a gravidade da situação e pede que a sociedade tenha atitudes conscientes e responsáveis nesse momento de crise mundial.

“O pico da infestação no Brasil está previsto para final de abril e maio. Quanto mais ficarmos restritos ao ambiente familiar, quanto mais tivermos as precauções, menos pessoas serão contaminadas. Manter a vigilância, manter o isolamento é essencial para que possamos ultrapassar esse momento mais crítico. E o mais importante, dando suporte aquelas pessoas que necessitam da internação na rede pública estadual em todas as regiões do estado”, destaca.

O monitoramento por geolocalização coloca Campo Grande como a 36° cidade do estado no ranking, com 47,90% da taxa de isolamento nesta segunda-feira (6.4). No comparativo com o mesmo dia de semanas anteriores, o isolamento foi o menor de todos. A segunda-feira (30.3) registrou taxa de isolamento de 49%, enquanto a segunda (23.3) foi de 55%. Sidrolândia teve 42,70%, dia 1º de abril, chegou a 43,70% e no dia 2, 48,8%.

A ferramenta será utilizada de maneira interna e estratégica pelo Governo do Estado para direcionar ações de enfrentamento ao Coronavírus nos municípios e regiões com menos adesão ao isolamento. A startup disponibilizado pela In Loco, permite que o governo mapeie a movimentação de pessoas dentro de regiões específicas, e identifique as localidades que estão cumprindo ou não os protocolos de distanciamento social.

Os dados são cruzados com os dados da SES de casos notificados, suspeitos e confirmados, e irão contribuir para a tomada de decisões. A tecnologia foi desenvolvida para respeitar a privacidade das pessoas. Isso significa que a empresa não consegue identificar diretamente os usuários dos smartphones mapeados.

“A única informação coletada é a localidade do aparelho, por meio de sensores presentes nos smartphones, como Wi-Fi, Bluetooth, GPS, entre outros. Portanto, não temos acesso aos dados de identificação civil como nome, RG, CPF e endereço de e-mail, por exemplo”, explica o CEO da In Loco, André Ferraz.

O projeto direcionado ao combate do coronavírus, respeita não apenas a privacidade dos indivíduos, mas todos os aspectos legais previstos na Constituição Federal, Marco Civil da Internet, o Código de Defesa do Consumidor, o Código Civil e se enquadra na Lei Geral de Proteção de Dados que entrará em vigor em agosto de 2020.