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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 26 de Novembro de 2020

Sidrolândia

Tribunal do Júri condena a 29 e 23 anos de prisão, mulheres que mataram por asfixia e queimaram corpo de idosa

Flávio Paes/Região News

25 de Outubro de 2020 - 20:02

As duas acusadas sentaram no banco dos réus na quinta-feira passada. Foto: Arquivo/Região News

A ex-merendeira Karina Beatriz Ferreira foi condenada a 29 anos e dois meses de prisão e a comparsa dela, Sherry Silva Maciel, a 23 anos e 2 meses, pelo conselho de sentença do Tribunal do Júri da Vara Criminal da Comarca de Sidrolândia. Em 26 de fevereiro de 2017, as duas mataram por asfixia a aposentada Lídia Ferreira, na época com 61 anos, que teve o corpo queimado e descartado, envolvido num saco plástico, às margens da MS-162 em Maracaju.

As duas acusadas sentaram no banco dos réus na quinta-feira passada. Karina, apontada como mentora do crime, teve a pena maior, porque teria sido ela quem teria obrigado dona Lídia a tomar um calmante para que adormecesse e depois a matou por asfixia, além da ocultação do cadáver. Além disso, durante mais de dois anos, até que o cadáver da vítima fosse identificado, continuou recebendo a aposentadoria dela, caracterizando o crime de estelionato.

Karina foi condenada a 26 anos e seis meses de prisão, mas sua pena foi ampliada em quase três anos (29 anos e dois meses) pelas chamadas qualificadora, circunstâncias que tornaram o crime ainda mais brutal e torpe: recorreu a asfixia para matar a vítima (não oferecendo a ela nenhuma chance de defesa), uma idosa com mais de 60 anos, além de ter ocultado o corpo dela.

A comparsa de Karina, Sherry Silva Maciel, teve uma pena menor (23 anos e 2 meses), porque sua participação no crime foi ligeiramente menor (não deu o calmante para a vítima adormecer), nem se beneficiou da aposentadoria de dona Lídia, durantes os últimos anos da vida dela e até após ela ter sido morta.

O crime

Dona Lídia Ferreira foi morta dia 26 de fevereiro de 2017 e seu corpo foi localizado 24 horas depois, às margens da rodovia MS-162, enrolado em plástico filme e carbonizado. A Polícia só conseguiu identificar os restos mortais da vítima, que residia em Maracaju e era dada como desaparecida, em junho de 2019, quando foi concluída uma minuciosa pesquisa de confrontação de impressão datiloscópica feita com a base de dados de institutos de identificação de vários estados.

Até chegar as acusadas foram dois anos de investigação desencadeadas pela Polícia a partir de denúncias de familiares do desaparecimento da aposentada. As duas acusadas moravam em Sidrolândia, Karina Beatriz Ferreira, 49 anos, ex-merendeira da Escola Estadual Catarina de Abreu, que foi candidata a vereadora em 2016.

Sherry Silva Maciel, 39 anos e foi presidente do diretório municipal do PC do B. Karina conheceu Lídia Ferreira num centro de candomblé, quando a vítima passava por um momento difícil porque havia perdido a mãe pouco antes. Karina convenceu a idosa que tinha poderes mediúnicos, sendo capaz de incorporar o espírito de pessoas que morreram. Na expectativa de que conseguiria manter contato com a mãe morta, Lídia (então residente em Maracaju) veio para Sidrolândia.

Morava na casa de Karina, onde conforme a polícia apurou, viveu por dois anos, praticamente em cárcere privado, trancada num quarto. A suspeita se apossou do cartão de aposentadoria e da senha da vítima passando a receber os benefícios. Estaria também interessada em se apropriar dos bens herdados por Lídia Ferreira. No início de 2017 familiares de Lídia (residentes em Maracaju) revolveram entrar na Justiça para pedir a interdição dela.

Como perderia o acesso a aposentadoria da vítima, Karina em conluio com Sherry Silva, deu um remédio para a vítima dormir, envolveram o corpo dela num plástico filme, matando-a por asfixia. Colocaram num carro, jogaram às margens da MS-162 (perto de Maracaju) e atearam fogo para dificultar a identificação do cadáver.