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Sidrolandia

Adolescente diz que Dayanne e Eliza brigaram antes de morte

Policial tenta evitar fotos do adolescente na saída do Juizado da Infância

Terra

19 de Julho de 2010 - 08:40

Responsável pela reviravolta nas investigações sobre o desaparecimento da jovem Eliza Samudio, 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno, o adolescente de 17 anos, primo do atleta, afirmou que a mulher do jogador, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, chegou a brigar com a estudante no dia 9 de junho. O desentendimento teria ocorrido pouco antes de Eliza ter sido levada pelo próprio jovem e pelo amigo de Bruno Luis Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, para a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

A declaração foi dada no último depoimento do jovem, no Centro de Internação Provisória do bairro Horto (Ceip), em Belo Horizonte. A oitiva foi colhida pela delegada Ana Maria Santos, chefe da Delegacia de Homicídios de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde as investigações sobre o caso estão concentradas.

"Quem chegou no sítio levando a Dayanne foi o meu pai, no Fiat Uno da minha tia. Ela (Dayanne) chegou com C. (uma mulher que o Terra prefere não identificar) e meu pai. Daí a Dayanne entrou no sítio e foi em direção à casa. Neste momento, o Bruno chegou na Dayanne e perguntou o que é que ela tava fazendo lá. Aí ela respondeu que a gente tava dentro da casa", diz o adolescente no depoimento.

Em seguida, conforme a oitiva, Bruno teria perguntado por que Dayanne queria saber quem estava dentro da casa. "O Bruno disse que, já que ela queria saber quem tava dentro da casa, pegou a Dayanne pelo braço e a levou no quarto onde a Eliza estava". Neste momento, de acordo com o depoimento, o goleiro colocou as duas frente a frente.

"As duas começaram a discutir, em tom de voz alto. Eu tava dentro do quarto e não fiquei prestando atenção não, porque eu tava dentro do quarto. Eu ouvia as vozes das duas, exaltadas, falando alto, mas eu não entendia o que elas estavam falando e nem porque estavam discutindo", afirma na oitiva à polícia o jovem.

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O jovem, denunciado pelo promotor da Infância e Juventude de Contagem, Leonardo Barreto Alves, pelos crimes de sequestro, homicídio e ocultação de cadáver, contou ainda os momentos que antecederam a morte de Eliza. "À noite, mais ou menos às 22h, o Macarrão ligou para esse tal de Bola, mas não falou nada perto de mim nem da Eliza. Só falou pra gente depois do telefonema que tava indo com a gente levar a Eliza lá pro apartamento dela, onde ela ia ficar."

Neste momento, Macarrão teria estacionado o carro Ecosport na porta do sítio e mandou o menor pegar a bagagem de Eliza. "A mala vermelha e a sacola do bebê já estavam com a Eliza, no ombro dela. Aí fomos pro carro, eu, Eliza com o bebê, o Sérgio (Rosa Sales, outro primo de Bruno, que nega ter ido) e o Macarrão. No carro, o Macarrão foi dirigindo, eu fui do lado dele. A Eliza com o bebê e o Sérgio foram sentados atrás. O Macarrão não disse nada, então foi dirigindo até Vespasiano".

O garoto diz que, próximo à casa de Bola, o ex-policial avistou o carro e depois foi, de moto, guiando o veículo até a casa dele. O portão da residência já estava aberto. Depois de algum tempo, "o tal de Neném (Bola) mandou a Eliza sentar numa cadeira e mandou ela ficar despreocupada, falou também que era policial. Em seguida ela falou assim: vocês não vão me bater mais, não, né? Porque eu já apanhei muito no Rio de Janeiro."

De acordo com o depoimento, Neném (Bola) teria perguntada a Eliza se ela consumia algum tipo de droga. A estudante teria respondido que não. "Aí ele (Bola) pediu pra olhar as mão dela. Ela deu as mãos pra ele. Em seguida, ele pediu pra ela ficar de pé, de costas pra ele. Aí ele colocou os dedos nas costas dela, tipo apalpando, e de repente, deu uma gravata nela", diz o jovem no depoimento.

Segundo o menor, enquanto "dava a gravata", o ex-policial pediu para Macarrão amarrar as mãos dela. "O Macarrão pegou a corda que tava no chão e deu um bicudo nela, nas pernas. Então, o Nenêm se jogou pra trás, caindo no solo, tombando Eliza."

Para a polícia, o adolescente disse ainda que, durante o momento que Eliza era morta por Bola, foi o primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, quem segurou o filho dela no colo o tempo todo. "Depois de um tempo dentro da casa, o Neném enfiou a mão em um saco preto (que ele carregava) e tirou a mão da Eliza, cortada pelo pulso, suja de sangue, e a jogou dentro do canil".

Neste momento, o adolescente diz ter virado de costas por não querer ver a cena. "O Macarrão também ficou na rolha e disse que tinha que ir embora. O Sérgio estava mais calmo e olhava a tudo, com curiosidade. (...) Chegando no sítio, o Bruno tava lá. Eu fui tomar banho. O Sérgio e o Macarrão foram contar pra ele o que havia acontecido. Eu não sei como o Bruno reagiu quando soube do assassinato de Eliza porque eu acho que o Bruno nem sabia que o Macarrão ia levar a Eliza para matar."

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.