Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 26 de Maio de 2022

Sidrolandia

Aldeia conectada: índios aderem às redes sociais

A Oca Digital, espaço reservado para cursos de ferramentas digitais na vila dos Jogos, fica lotada o dia inteiro. São índios de todo o país que querem aprender mais

Agência Brasil

31 de Outubro de 2015 - 07:16

Por onde quer que se ande na Vila dos Jogos Mundiais Indígenas, em Palmas, capital do Tocantins, é comum encontrar índios de olhos vidrados na tela de um telefone celular. A nova geração de indígenas do país está conectada e, segundo eles explicam, não há resistência nas aldeias ao uso de tecnologia.

A Oca Digital, espaço reservado para cursos de ferramentas digitais na vila dos Jogos, fica lotada o dia inteiro. São índios de todo o país que querem aprender mais sobre tecnologia nas aulas ministradas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac Tocantins ). E quem não usa uns dos 30 computadores da oca aproveita o wifi gratuito a fim de enviar informações para a aldeia e para o mundo sobre o que se passa nos jogos.

“Eu costumo usar o Facebook para conversar com as meninas, com a família que mora longe e também para postar sobre a cultura indígena. Na minha aldeia tem rede de wifi e a conexão é boa”, disse Hebert, da etnia Javaé. Ele mostra orgulhoso as curtidas que recebeu ao postar fotos com o tetracampeão mundial de paracanoagem Fernando Fernandes, que visitou a sua aldeia localizada na ilha do Bananal, no estado do Tocantins. Índios mais velhos também têm aproveitado para criar os próprios perfis.

Tecnologia em prol dos direitos

Para a pequisadora de educação indígena, Marina Terena, a cultura das etnias também é dinâmica e não está imune às transformações que a sociedade vive. “É preciso que isso se torne claro para o não índio, para acabar com determinados preconceitos. A tecnologia já está disponível para todas populações, indígenas ou não indígenas. O próprio movimento indígena hoje se mantém graças à tecnologia, através da disseminação da luta de seus direitos, sua cultura, sua história e trajetória”, disse.

De acordo com Marina Terena, os projetos que têm levado internet para as aldeias são reivindicações dos próprios índios, principalmente dos mais jovens. “Há um tempo, não tínhamos nem energia. Hoje a gente tem aldeias com elementos urbanos, com energia, com acesso à internet. As redes de conexão chegam principalmente por causa das escolas indígenas e, na maioria das vezes, a conexão é disponibilizada para o restante da aldeia”.