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Sidrolandia

Ana Lídia diz que deixou Secretaria por discordar de cortes determinados pelo prefeito

Em entrevista exclusiva ao Região News, Ana Lídia foi franca e objetiva ao explicar porque pediu exoneração.

Flávio Paes/Região News

01 de Agosto de 2013 - 08:15

A ex-secretária de Saúde de Sidrolândia, Ana Lídia Ascoli, deixou o cargo que ocupava desde janeiro, por discordar das medidas determinadas pelo prefeito Ari Basso para cortar despesas na pasta que comandava, ao ponto de por três meses ter se “insubordinado”, ignorando uma destas decisões, a suspensão de um serviço que há vários anos era mantido pela Prefeitura.

A secretária insistia na manutenção de quatro veículos de apoio para transportar pacientes residentes nos assentamentos São Pedro, Capão Bonito e Eldorado, para serem atendidos na cidade, quatro deles com problemas renais e que por três vezes por semana precisam fazer hemodiálise em Campo Grande.

“Não é possível usar a viatura do SAMU para fazer este serviço, porque em pouco tempo estaria quebrada porque as estradas rurais são precárias”, justifica a ex-secretária, esposa do vice-prefeito, o médico Marcelo Ascoli. Fora do cargo, substituída pela também enfermaria Leila Couto, vai desempenhar a função de auditora do SUS (Sistema Único de Saúde).

Ela admite que não conseguiu convencer o prefeito a rever a medida que manteve, num ato definida por Ana Lídia “como insubordinação”, nos meses de maio, junho e julho. A gota d’água para que resolvesse sair do cargo depois de dois pedidos de demissão não aceitos pelo prefeito, foi o recebimento de uma comunicação interna no último dia 23, pela qual foi informada da demissão de três dos quatro motoristas contratados para atuar no transporte dos pacientes. “Ficou claro que o prefeito tinha tomado sua decisão”.

Em entrevista exclusiva ao Região News nesta quarta-feira, o seu último dia no comando da Secretaria Municipal de Saúde,  Ana Lídia  foi franca e objetiva ao explicar porque pediu exoneração em caráter irrevogável do cargo que ocupava há sete meses , sem ao menos se reunir com o prefeito Ari Basso: comunicou a decisão por telefone e no final da tarde de terça-feira enviou ofício-carta no qual expôs de forma detalhada as razões para não querer mais continuar na função.

“Em absoluto não foi por razões pessoais. Saio porque não me senti em condições de tomar algumas decisões que o prefeito entendeu serem necessárias para enfrentar as atuais dificuldades financeiras”, comenta.

Além de discordar da suspensão do transporte de pacientes dos assentamentos para consultas e tratamento na cidade, a ex-secretária se insurgiu contra outras decisões do prefeito na mesma direção de cortar despesas: o corte das gratificações dos funcionários que ocupam cargos de chefia (gerentes de unidades, coordenadores de serviço) e a suspensão da concessão de férias.

“Discordo como as decisões foram conduzidas, especialmente a questão da suspensão das férias. Houve apenas uma comunicação verbal, não foi feito um documento formalizando a medida. Os servidores tinham se programado, contavam com o dinheiro da indenização de férias”, argumenta.

Em relação ao corte das gratificações, a ex-secretária lembrou que todos os atingidos são funcionários de carreira e o benefício está previsto no plano de cargos e carreiras. Ana Lídia diz que sugeriu ao prefeito um decreto reduzindo de forma linear todas as gratificações. “Não me senti a vontade para chamar o servidor e barganhar com ele a redução ou até a suspensão da gratificação”, revelou.

Curiosamente o transporte de pacientes residentes nos assentamentos, pivô do  pedido de demissão de Ana Ascoli, deve ser mantido pela nova secretária Leila Couto, com a diferença que funcionará apenas no horário de expediente da Prefeitura (de 8 horas da manhã até às 17 horas).

Foto: Marcos Tomé/Região News

Ana Lídia diz que deixou Secretaria por discordar de cortes determinados pelo prefeito

Ana Lídia Ascoli durante entrevista ao Região News