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Sidrolandia

Após resolução editada, casais homoafetivos têm acesso a direitos civis

No último dia 7, onze casais de mulheres participaram do I Casamento Coletivo Homoafetivo, em Campo Grande (MS).

Dourados Agora

13 de Julho de 2013 - 11:50

Dois meses após o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) editar a Resolução n. 175, para obrigar os cartórios brasileiros a celebrar casamentos de pessoas do mesmo sexo, casais homossexuais começam a experimentar o gosto de ter reconhecidos diversos direitos no campo civil que até então eram assegurados apenas às uniões entre homens e mulheres.

Na avaliação do conselheiro Guilherme Calmon, que neste mês de julho exerce interinamente a função de corregedor nacional de Justiça, essa nova realidade vem se mostrando evidente principalmente nos casos em que os casais têm filhos – adotados ou frutos de reprodução assistida.

“A exemplo dos casais heterossexuais, dois homens ou duas mulheres que juntos decidem adotar uma criança, por exemplo, também terão acesso a benefícios assistenciais e sociais, como são as licenças previstas em lei para os casais heterossexuais”, afirmou.

A Resolução CNJ n. 175 entrou em vigor no dia 16 de maio último. A norma é expressa: veda às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo, sob pena de ter de responder a procedimento administrativo na corregedoria-geral de Justiça local ou do CNJ.

De acordo com levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), realizado em 22 capitais brasileiras, 231 casamentos homoafetivos foram reconhecidos no primeiro mês de vigência da resolução.

Para Calmon, o balanço é altamente positivo. “Esses números revelam a necessidade da decisão do Conselho Nacional de Justiça, até para unificar o tema para todo o País”, destacou. No último dia 7, onze casais de mulheres participaram do I Casamento Coletivo Homoafetivo, em Campo Grande (MS). O evento foi promovido pela Defensoria Pública do Estado.

'Sempre quis casar com ela e agora temos nossos direitos garantidos', disse Veronice da Silva, que realizou o sonho de se casar e agora passa a assinar o sobrenome da companheira Silvana Lacerda.

As noivas Deise Aparecida Ferreira Martins e Evellyn Gonçalos Azevedo Martins – que são mães de um menino de quase dois anos – também aproveitaram o momento para oficializar a união.

Samira Alves e Bibiana Motanher, e Ide Escheverria e Vera Veiga comemoram o casamento civil. 'Eu vivo com minha companheira há muitos anos, nossa família está presente e é testemunha da nossa união, não temos o que esconder', afirmou Ide.

Diversos convidados das noivas acompanharam a cerimônia que teve direito a entrada dos padrinhos, buquê, pajens e damas de honra, troca de alianças, além da desejada certidão de casamento. O conselheiro explicou que, entre as consequências do reconhecimento do casamento gay, destaca-se o acesso a direitos até então resguardados aos casais heterossexuais.

“A questão da licença-maternidade ou licença-paternidade, por exemplo. Os casais homoafetivos também podem receber esses benefícios ao adotar uma criança ou caso optem por ter um filho por meio das técnicas de reprodução assistida”, afirmou Calmon, que aconselha aos casais buscarem o Judiciário caso seus direitos sejam desrespeitados.

Diante dos novos modelos de famílias cada vez mais comuns na sociedade brasileira, Calmon defende mudanças legislativas. Ele cita como exemplo as normas que tratam da licença-paternidade e que garantem aos pais o afastamento do trabalho por apenas cinco dias. “Esse é um dos questionamentos que devem ser levados ao Legislativo, para que sejam tratados de forma mais adequada”, finalizou.