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Sidrolandia

Artuzi usava propina para comprar gado e imóveis, diz delegado

delegado afirmou que todos os contratos de obras com a Prefeitura de Dourados eram feitos por meio do esquema criminoso

Diario - MS

02 de Setembro de 2010 - 07:44

Compra de cabeças de gado e imóveis urbanos e rurais. Esse era o destino do dinheiro tomado em propina pelo prefeito de Dourados Ari Artuzi (PDT) de empreiteiras e prestadores de serviços da Prefeitura de Dourados, segundo o delegado da PF (Polícia Federal), Bráulio César Galloni. 

O delegado afirmou que todos os contratos de obras com a Prefeitura de Dourados eram feitos por meio do esquema criminoso. Segundo ele, parte do valor contratado retornava às mãos do prefeito Artuzi, mas o delegado não soube especificar a quantia. “O prejuízo envolvia 100% dos contratos de obras”, afirmou. 

De acordo com o delegado, essa é a operação em Dourados com maior número de provas, todas coletadas pelo secretário de Governo de Dourados, Eleandro Passaia. “Durante as investigações, observamos que esse esquema de fraude e corrupção ocorria desde o início da atual administração. O prefeito comandava toda essa organização criminosa, escolhendo as empresas que deveriam participar e ganhar os processos de licitações fraudulentos. Demos provas cabíveis da participação de diversas empresas”, acrescentou. 

Eleandro Passaia calcula que o esquema rendia ao prefeito de Dourados, Ari Artuzi, pelo menos R$ 500 mil por mês. A declaração foi feita em entrevista coletiva, ontem à tarde, na PF, em Dourados. O secretário afirmou que para cada licitação o prefeito queria receber 10%. E que ele (Passaia), se quisesse, podia receber até R$ 100 mil de propina por mês. “Eu calculei, se me dariam até R$ 100 mil, o prefeito não recebia menos de R$ 500 mil”, disse. 

O secretário afirmou também que apenas da secretaria municipal de Saúde, o esquema desvia recursos de aproximadamente R$ 2 milhões mensais. Com autorização da Justiça, Passaia fez gravações por cerca de 3 meses, de áudio e vídeo, de encontros de secretários, vereadores, empresários e o prefeito. Em uma das imagens divulgadas ontem pela PF, Artuzi recebe R$ 10 mil de funcionário de uma empreiteira. Depois de contar as notas e colocar parte no bolso, entrega o restante para a esposa, Maria Aparecida, que também está presa.