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Sidrolandia

Assentados garantem licença ambiental e aguardam retroescavadeira para abrir tanques de piscicultura

O licenciamento ambiental abre caminho para a produção em grande escala que exige armazenagem em frigorífico com inspeção sanitária federal.

Flávio Paes/Região News

04 de Agosto de 2014 - 13:32

Um grupo de 11 assentados, a maioria do São Pedro, está na expectativa de que o superintendente regional da Pesca, Cesar Moura cumpra a promessa de enviar para Sidrolândia ainda neste ano, uma  retroescavadeira hidráulica e com isto possam dar a largada para legalização dos seus projetos de piscicultura que desenvolvem informalmente em pequena escala.

A atividade é uma alternativa para o agricultor familiar que numa área de 0,5 hectare, pode assegurar uma renda bruta de R$ 6.400,00, por tanque, a cada 10 meses, que é o ciclo de produção do pescado. Estes pequenos produtores, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais se adiantaram, cada um pagou R$ 1.800,00 para obter o licenciamento do IMASUL (instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e espera agora a chegada da máquina que vai aliviar o custo de implantação dos seus projetos.

Nas contas do assentado do São Pedro, José Rios Villas, apenas   a locação da retroescavadeira hidráulica tem um custo médio de R$ 3.300,00 por tanque, por 30 horas de utilização, com a cobrança de R$ 110,00 a hora. Com a parceria da  Prefeitura e o Ministério da Pesca, só as despesas com o óleo diesel ficariam por conta do assentado.

O licenciamento ambiental abre caminho para a produção em grande escala que exige armazenagem em frigorífico com inspeção sanitária federal. No caso de Sidrolândia, segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Cezar Queiróz, a piscicultura desenvolvida por grandes produtores como o prefeito Ari Basso que explora a atividade numa das suas propriedades (a Fazenda Recanto), é uma alternativa para garantir renda aos assentados.

“Usando menos de um hectare do lote, o assentado tem uma atividade complementar ao leite e a própria produção de verdura, usando apenas a mão de obra da família”. Para agregar valor ao produtor, os produtores serão capacitados a aprender desenvolver técnicas de limpeza e corte, para o pescado chegar ao consumidor já fatiado em filé. A ideia é usar os frigoríficos de Dourados e Dois Irmãos do Buriti como entreposto de comercialização.

Quem já tem experiência com a piscicultura é o já mencionado, José Rios Villas, do São Pedro. Sem apoio técnico, contando apenas com seus recursos, ele vem algum tempo se dedicando a atividade, junto com a produção diária de 150 litros de leite das suas 13 vagas. O assentado mantém três tanques (cada um com 10 x 50), ocupando 0,5 hectare e que lhe garantem média 800 quilos de peixe por ciclo de produção, negociados na base de R$ 8,00.

Rios tem um projeto ambicioso, que é chegar a 50 tanques (com o dobro do tamanho, 20 x 50), reservando 5 hectares da sua parcela para a atividade. ”Quero começar com 5 tanques e na medida que o negócio for se firmando, ir aumentando”, avisa. O mercado consumidor é crescente, daí ter como projeto mais á longo prazo, a instalação de uma central de refrigeração para manter armazenada sua produção.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Rosa Marques, calcula que um tanque renda ao produtor R$ 7 mil por safra de produção. No Capão Bonito 2, o casal André e Vera Sartori, que também se dedica a criação de peixe em cativeiro, espera o licenciamento para iniciar a atividade numa escala mais profissional.

“Por enquanto estamos na base da teimosia. Sem orientação técnica, com pouco lucro. A gente usa  a produção no consumo próprio e vende o que sobra para os vizinhos”, informa. Por enquanto, a principal renda da família vem da produção leiteira (300 litros por dia). O lote tem três tanques, que ocupam 0,5 hectare.