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Sidrolandia

Brasil aposta na indústria europeia para acordo entre Mercosul e UE

O assunto foi tratado nesta quarta-feira em Brasília, durante a IV Cúpula Brasil-UE, na qual foi realizado em paralelo um encontro de empresários de ambas as partes.

EFE

15 de Julho de 2010 - 16:25

A pressão da indústria europeia pode ser importante para destravar as negociações entre o Mercosul e a União Europeia (UE) e para superar as diferenças no setor agrícola, disse hoje à Agência Efe o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral.

Apesar de as discussões entre UE e Mercosul para um amplo acordo comercial terem sido retomadas este mês, após uma paralisação de quase seis anos, Barral admitiu que ainda persistem dificuldades por causa das diferenças entre os dois blocos no setor agrícola.

"Não há grandes mudanças em relação a seis anos atrás e o tema ainda é a agricultura", disse Barral, em entrevista à Efe, na qual afirmou que a "diferença" hoje está no setor industrial europeu, afetado pela crise que começou na Grécia, que "vê que a possibilidade de expandir seus negócios está na América Latina".

Segundo Barral, a oportunidade para um acordo do Mercosul com a UE surgiu porque "a crise gera reações protecionistas (sobretudo na área agrícola), mas também alguma pressão de setores, como o industrial, que querem uma maior abertura de mercados".

O assunto foi tratado nesta quarta-feira em Brasília, durante a IV Cúpula Brasil-UE, na qual foi realizado em paralelo um encontro de empresários de ambas as partes.

"Os industriais (europeus) disseram que querem o acordo", mas, mesmo assim, enfrentam a resistência de setores agrícolas, que temem o impacto que pode representar a alta competitividade do Mersocul no âmbito, disse Barral.

Além disso, o secretário minimizou as exigências da UE sobre os impedimentos que a Argentina impôs a produtos do setor agrícola e afirmou que, na realidade, "não houve nenhuma medida concreta", apenas alguns problemas pontuais, que afetaram inclusive o Brasil, e que já foram solucionados.

"Foi gerada uma discussão muito grande, mas nossa impressão é de que alguns negociadores europeus usam isso como um pretexto para não avançar nas negociações", declarou Barral.

Em sua opinião, se o setor industrial europeu realmente quiser o acordo com o Mercosul, "tem que se mobilizar, porque quem faz mais barulho agora são os setores protecionistas" vinculados à agricultura da UE.

Barral ressaltou que muitos países da UE, como Espanha, Alemanha e Reino Unido, "querem o acordo", mas encontram pressões de França, Irlanda e outras nações que pretendem manter ou expandir o "protecionismo" no setor agrícola.

"A peça da resistência é a França", afirmou Barral, que se disse convencido de que se o setor agrícola francês se convencer das possibilidades que serão abertas com a negociação com o Mercosul "será tudo mais fácil".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou hoje sobre essa posição contrária da França e traçou a meta de "abrandar o coração dos franceses" durante o segundo semestre do ano, quando o Brasil ocupará a Presidência de turno do Mercosul.

"Sei do peso que têm os agricultores franceses", mas "será necessário convencê-los do que um acordo com o Mercosul pode oferecer para todos", disse Lula, na cúpula.

Lula destacou sua forte relação pessoal com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e assegurou que apelará a ela para "convencer" os produtores agrícolas franceses que se opõem à retomada das negociações entre a UE e o Mercosul.