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Sidrolandia

Calçados produzidos em presídio atravessam fronteiras de Mato Grosso do Sul

O material é distribuído às maiores cidades de Mato Grosso do Sul, como a Capital

Fonte: Agepen

12 de Fevereiro de 2011 - 10:44

Em uma confecção instalada no Estabelecimento Penal de Paranaíba (EPPar) são produzidos, em média, 1200 calçados diariamente. O material é distribuído às maiores cidades de Mato Grosso do Sul, como a Capital, e ainda calça pessoas em diversos Estados brasileiros, entre eles: São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Santa Catarina.

A iniciativa faz parte de uma parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a empresa Adriana Rezende Calçados, tendo como objetivo a ocupação produtiva e remunerada de detentos.

O convênio foi formalizado há mais de um ano como parte do “Projeto Recomeçar”, idealizado pelo Juiz da Vara Criminal e Execução Penal de Paranaíba, Francisco Vieira de Andrade Neto, com apoio do Conselho da Comunidade local. O projeto tem por objetivo proporcionar mecanismo de reinserção social de internos do sistema prisional por meio do trabalho, além de contribuir com ações que visam melhorias para a estrutura das unidades penais da cidade.

O trabalho de confecção de calçados é desenvolvido por oito internos do EPPar. Eles atuam na finalização das peças, como colagem de palmilhas, enfeites decorativos e embalagens comerciais. Pelo trabalho, recebem mensalmente o valor de R$ 200,00 e kits de higiene, e ainda ganham remição de um dia na pena para cada três trabalhados.

Para o empresário Alfredo Bernardes da Silva, dono da empresa de calçados, a parceria tem sido muito produtiva. Segundo ele os internos são muito disciplinados e cumprem todas as tarefas com qualidade. “Estamos muito satisfeitos, temos bem menos problemas com eles do que com os empregados de fora”, comenta. “Também temos todo o apoio da direção e dos funcionários do presídio, além do estímulo do doutor Andrade [juiz da Execução Penal], que está sempre nos procurando para ver o andamento dos trabalhos; o comprometimento de todos com a ação é muito grande”, enfatiza o empresário.

Setor Empresarial

O Estabelecimento Penal de Paranaíba conta com um “Setor Empresarial”, um espaço destinado a acomodar empresas interessadas em dar oportunidade de emprego a reeducandos do regime fechado. Inaugurado em novembro de 2009, além da confecção de calçados, o local abriga também uma empresa que produz brinquedos pedagógicos e uma selaria.

Mas o trabalho de internos não se limita apenas ao “Setor Empresarial”, segundo a responsável pelo trabalho dos detentos no EPPar, Monica Dantas. No presídio também são desenvolvidas atividades de panificação, cozinha, reciclagem, serralheria, limpeza e manutenção, garantindo ocupação produtiva a mais de 50% dos internos.

Na opinião do diretor do presídio de Paranaíba, o trabalho prisional é uma eficiente ferramenta para a disciplina dos detentos e ainda os ajuda a terem novas perspectivas de vida para quando conquistarem a liberdade. “Trabalhando, eles ocupam a mente, acabam tendo um comportamento melhor, e também têm uma chance de aprenderem a desenvolver atividades que poderão ajudá-los a conquistarem um emprego digno quando saírem da prisão”, destaca.