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Sidrolandia

Caso Bruno: enviada da OAB não vê irregularidades em depoimentos

Cintia Ribeiro de Freitas presenciou as audições do goleiro Bruno Fernandes, de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e de Fernanda Gomes de Castro; ela deve encaminhar relatório ainda hoje

Abril

21 de Julho de 2010 - 13:28

A advogada Cintia Ribeiro de Freitas, designada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na tarde da segunda-feira (19) para acompanhar os depoimentos na investigação sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro  Bruno Fernandes, do Flamengo, afirmou nesta quarta (21) que não encontrou nenhuma irregularidade no trabalho policial desde sua designação.

Cintia já presenciou três depoimentos até agora: de Bruno, de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e de Fernanda Gomes de Castro, outra ex-amante do jogador. Segundo a advogada, o delegado responsável pelo caso e titular do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa da
Polícia de Minas (DHPP-MG), Edson Moreira, garantiu que ela será convocada para as próximas audições.

“Nos três depoimentos que acompanhei... não houve nenhum tipo de ação informal durante o trabalho policial”, afirmou.

Um relatório com as conclusões da advogada deve ser encaminhado ainda nesta quarta ao presidente da
OAB, que remeterá o documento ao presidente da Comissão de Defesa de Prerrogativas da ordem, Rodrigo Otávio Soares Pacheco.

O trabalho de Cintia, designada após pedido do advogado Ércio Quaresma, consiste em evitar abusos durante as investigações, garantir o acesso da defesa aos autos da fase pré-processual e o contato reservado com os clientes, o que a
OAB entende como prerrogativas dos advogados.

Macarrão

O resultado preliminar dos exames de corpo de delito feitos em Macarrão deram negativo para agressão, segundo informações da assessoria de imprensa da Polícia Civil de Minas Gerais. O laudo ainda será encaminhado para o delegado Edson Moreira.

Macarrão, amigo do atleta, passou por exames no final da noite de segunda após prestar depoimento no Departamento de Investigações (DI), em Belo Horizonte. O exame foi feito a partir de uma denúncia de seu advogado de que ele teria sido agredido com um tapa no peito no interior do órgão. Além disso, Macarrão teria sido jogado no chão.

O exame foi acompanhado pelo promotor Gustavo Fantini e por um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Entenda o caso
A ex-modelo Eliza Samudio, de 25 anos, desapareceu no dia 4 de junho deste ano. O último contato conhecido dela foi com a advogada Anne Faraco, que acompanhava o processo de reconhecimento da paternidade do filho de quatro meses que a jovem dizia ser de Bruno Fernandes, goleiro do Flamengo.

No telefonema à advogada, Eliza avisou que iria a Minas Gerais encontrar o jogador. Segundo ela, Bruno havia concordado em fazer um exame de DNA.

Em 2009, a modelo tinha levado à imprensa do
Rio de Janeiro a notícia de que estava grávida de Bruno. A criança teria sido concebida no primeiro encontro dos dois em um churrasco em maio do ano passado, quando o atleta já era casado com Dayanne Souza.

Em outubro, Eliza denunciou ameaças de Bruno, que a pressionava a abortar. A
Justiça determinou que o atleta mantivesse, pelo menos, 300 metros de distância dela.

Em fevereiro deste ano, quando o bebê nasceu, a ex-amante passou a negociar as condições para que Bruno assumisse a paternidade. Ela batizou a criança com o mesmo nome do jogador.
Um mês depois, Eliza foi ao Rio e enviou uma mensagem para sua advogada: "Estou no mesmo hotel que fiquei aquela vez, se acontecer algo, já sabe quem foi". O advogado do jogador rejeitou o acordo proposto por ela na ocasião.

Em 24 de junho, a Delegacia de Homicídios de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, onde ficava o sítio de Bruno, recebeu uma denúncia de que Eliza havia sido levada para o local, onde teria sido assassinada. Foi quando as polícias do Rio e de Minas Gerais começaram as buscas por Eliza.

Dois dias depois, a mulher do jogador, Dayanne, foi autuada “por subtração de incapaz” por ter entregado filho de Eliza a uma amiga.

No dia 28 de junho, a
Polícia de Minas Gerais fez as primeiras buscas no sítio do atleta. No dia seguinte, a perícia encontrou vestígios de sangue no carro de Bruno. O veículo havia sido retido no Estado por falta de licenciamento em uma blitz no dia 8 do mesmo mês. Mais tarde, um exame mostrou que se tratava do sangue de Eliza.

A testemunha-chave do caso, um adolescente de 17 anos, que é primo do goleiro, apareceu em 6 de julho e confirmou ter participado do seqüestro de Eliza, ao lado de Luiz Henrique Romão - mais conhecido como Macarrão, que é funcionário de Bruno.
No entanto, o garoto prestou depoimentos conflitantes sobre o caso para a
Polícia Civil e o Ministério Público do Rio.

O primeiro depoimento deflagrou o pedido de prisão temporária de Bruno e de Macarrão. Na ocasião, o adolescente contou que, após atacar Eliza dentro de um carro, ele e o funcionário do goleiro seguiram viagem diretamente para o sítio do jogador. O menor disse ainda que Bruno só teve contato com Macarrão e Sérgio (que vigiava Eliza no sítio) por duas horas.

Na segunda versão, o primo do jogador disse que, após o seqüestro, ele, Macarrão e Eliza foram primeiro para a casa do goleiro, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio, onde ficaram por dois dias. Bruno não estava na casa, segundo o adolescente, pois se preparava com o time do Flamengo para uma partida do Campeonato Brasileiro naquele final de semana, mas depois encontrou o grupo em Minas e permaneceu lá por três dias.

A participação da esposa do goleiro no caso também sofreu alterações entre os relatos. No primeiro depoimento, o adolescente só a viu no sítio após o crime. Mas, na segunda versão, o menor de idade disse que ela já estava no local quando eles chegaram. Apesar disso, ele não confirmou a presença do casal no momento do assassinato de Eliza.

O ponto comum dos depoimentos é que Eliza foi levada do sítio do jogador para outro local, no município de Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte. Ali, Eliza teria sido entregue ao traficante e ex-policial civil Marcos Aparecido do
Santos, conhecido também como Bola, Paulista e Neném. Ele teria sido o responsável pela morte de Eliza, por estrangulamento.

O adolescente disse ainda que o traficante desmembrou a mulher e deu as partes do corpo dela para que cachorros comessem. Segundo informações da
Polícia de Minas, Bruno teria acompanhado a entrega de sua ex-amante ao criminoso e presenciado o assassinato.

Bruno, sua esposa, e Macarrão, além de outras pessoas envolvidas no crime, tiveram sua prisão temporária decretada após o encerramento do depoimento do adolescente, no dia 6 de julho. Já Bola, o ex-policial suspeito do assassinato, foi preso dois dias depois, em Belo Horizonte.

O jogador e seu funcionário já foram indiciados pela
Polícia do Rio, pelo sequestro ocorrido em junho deste ano e, pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ), por sequestro, cárcere privado e lesão corporal, por conta do incidente de 2009, onde teriam tentado forçar Eliza a abortar a criança que ela carregava.