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Sidrolandia

Cercado por seguranças, Odilon diz que palestras ajudam a reaprender a convivência social

A palestra foi uma iniciativa da Câmara Municipal liderada pelos vereadores Edno Ribas e Waldemar Acosta, além de contar com o empenho do missionário Carlos Henrique.

Flávio Paes/Região News

04 de Agosto de 2013 - 22:35

Empenhado numa cruzada para despertar na sociedade a consciência de que é precisar acordar sobre a necessidade da prevenção ao uso de drogas, percorrendo o Estado fazendo palestras, o juiz Odilon de Oliveira, que sexta-feira esteve em Sidrolândia falando para mais de mil pessoas no Salão Paroquial,  diz ser estes momentos uma oportunidade de  “reaprender”  a conviver em sociedade, voltar a conversar com as pessoas.

Nos últimos 15 anos o magistrado vive sob segurança 24 horas, cercado por policiais federais, que o protegem até dentro de casa. Com a cabeça colocada a prêmio, alvo de várias ameaças, por conta da sua atuação no combate ao tráfico na região fronteira, o magistrado vive uma rotina de clausura.

Mesmo sendo uma celebridade nacional, tema de reportagens da imprensa nacional e internacional, antes de fazer uma palestra foi recebido pelo prefeito Ari Basso com quem travou uma conversa descontraída e informal. Toda esta segurança que ronda Odilon de Oliveira, é reflexo de alguns dos seus  “feitos” como a prisão de Fernandinho Beira Mar, que ainda dentro do presídio, mantém influência do tráfico de drogas nos morros cariocas.

“Recebo ameaças há 20 anos. Não tem nem como contar quantas já recebi. Foram ameaças por cartas, bilhetes anônimos e telefonemas”. Atualmente, cerca de dez agentes federais trabalham no esquema de segurança do juiz, que é feito 24 horas por dia. Além da escolta policial, Oliveira utiliza um colete à prova de balas para trabalhar e anda em carros blindados que suportam até tiros de fuzis.

Sua atuação no combate ao narcotráfico ganhou notoriedade a partir de 2005,  quando foi designado para estruturar a vara criminal de Ponta Porã. Lá ele permaneceu por um ano e três meses, onde chegou a morar no hotel de trânsito do exército. Na cidade, também ficou hospedado em um hotel comum, mas teve que sair porque o local sofreu uma invasão. Depois do episódio, ele passou a morar no Fórum do município.

“Já senti medo de morrer. Além de juiz, também sou chefe de família, pai e marido. O medo é um sentimento humano, não tem como não senti-lo”, afirmou Oliveira. Atualmente Oliveira é titular da única vara especializada em crimes financeiros e de lavagem de dinheiro de Mato Grosso do Sul, com jurisdição sobre todo o Estado.

Sua atuação resultou no confisco judicial de R$ 1 bilhão em patrimônio dos traficantes. São cerca de 80 fazendas, 600 veículos, 18 aviões, 100 apartamentos e casas e R$ 30 milhões em depósitos. Na sexta-feira por quase duas horas, mais de mil pessoas, incluindo estudantes, pais, professores e idosos,  pararam para ouvir o Dr. Odilon defender o envolvimento  da sociedade, do poder público, mas, sobretudo, da família para deixar os jovens longe das drogas, além da necessidade de iniciativas de recuperação dos dependentes químicos  e reinserção na sociedade.

A palestra foi uma iniciativa da Câmara Municipal liderada pelos vereadores Edno Ribas e Waldemar Acosta, além de contar com o empenho do missionário Carlos Henrique, um ex-viciado, que consegui se recuperar e hoje dedica sua atuação religiosa a salvar os jovens mergulhados neste mundo de sombra e morte, que é o das drogas. Confira a Reportagem.