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Sidrolandia

Chamas constantes expõem descaso no único aterro de entulhos da cidade

Sob o maior e único aterro de entulhos da Capital, as chamas se ascendem sozinhas em um amontoado.

Campo Grande News

12 de Novembro de 2016 - 08:48

A falta de fiscalização diante de uma triagem mal feita durante antes anos faz com que o único aterro de entulhos de Campo Grande, no anel viário da BR-163 na região do Jardim Noroeste, tenha o aspecto de lixão. Sob o maior e único aterro de entulhos da Capital, as chamas se ascendem sozinhas em um amontoado onde a fumaça é expelida do chão, durante todo o dia e noite.

No local, a montanha de resíduos sólidos cresceu sobre a matéria orgânica acumulada indevidamente e o legado é visível, além de preocupante até mesmo do ponto de vista da saúde pública. Situação que se a dona de casa, Glaucia dos Santos Paredes, de 29 anos, soubesse que acontecia ela nunca não teria se mudado para a rua ao lado do aterro, há três meses.

Além do mau cheiro, o problema já compromete a saúde do marido e da filha, de 1 ano. “Quando decidimos nos mudar para cá, eu não sabia dessa situação. Os dois sofrem da rinite que piorou por causa dessa fumaça. Já tive de levar ela às pressas para o hospital durante uma crise. Sem mencionar a fuligem que vem parar dentro de casa diariamente. Já estamos pensando seriamente em nos mudar”, comentou a dona de casa.

Já “adaptado” com o ambiente, o pedreiro Ludson Santos da Silva, de 24 anos, há dois é vizinho do aterro. A situação é preocupante até mesmo em dias de chuva. “Eu sabia que havia esse problema, mas foi onde deu para comprar uma casa. Até em dias de chuva essa fumaça e o mau cheiro incomodam e durante a noite, às vezes as chamas são tão fortes que é possível ouvir o barulho do fogo”, comenta.

Ludson também é pai de uma garotinha de 2 anos e conta que o ar impuro que expelido do local, frequentemente faz com que a menina tenha problemas de saúde. “Ela está só com tosse seca, mas já passou mal por diversas vezes. Todos os dias temos que fazer inalação nela, sem falar da sujeira. Mesmo com panos nas portas e janelas a fuligem sempre entra”, completa.

E se entre os moradores o problema gera incômodo, quem ainda insiste em lucrar com o comércio nas redondezas, também enfrenta dificuldades. Na lanchonete do senhor Wayne Delfino Serpa, de 57 anos, a clientela diminui pela metade em dias em que a fumaça é mais intensa.

“Esse cheiro forte de queimado incomoda até quem vai comer. Já perdi clientes que evitaram vim aqui por causa desse problema e em dias onde a quantidade de fumaça é maior o movimento diminui”, conta. Segundo ele, a situação beira o desespero.

“Hoje o ambiente que você vê está normal, mas quando realmente pega fogo e as chamas estão altas dá vontade de largar tudo e ir embora”, disse à reportagem. “É um problema ambiental, mas ninguém se importa com a nossa situação”, se queixou.