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Sidrolandia

Com baixa produção leiteira pequenos produtores esperam ansiosos pelo fim da estiagem

O tempo seco e a geada destruíram as pastagens e em algumas propriedades a produção caiu 80%.

Flávio Paes/Região News

02 de Setembro de 2013 - 08:18

Foto: Natalício Mello/Região News

Com baixa produção leiteira pequenos produtores esperam ansiosos pelo fim da estiagem

Depois de aproximadamente dois meses de estiagem em Sidrolândia, a maior torcida para que se confirmem as previsões da meteorologia de que vai chover nesta segunda-feira é dos assentados que tem na produção leiteira a maior fonte de renda. O tempo seco e a geada destruíram as pastagens e em algumas propriedades a produção caiu 80%.

 Neste cenário, o produtor está perdendo a chance de se beneficiar dos preços mais competitivos oferecidos pelas indústrias que estão pagando R$ 0,85 pelo litro, R$ 0,20 acima do valor praticado na safra. Diferentes institutos de meteorologia estão prevendo pancadas de chuva, com expectativa para esta segunda-feira de uma garoa de 2 milímetros, índice pluviométrico insuficiente para garantir a recuperação das pastagens que também sofreram com as queimadas.

“Estou soltando o gado nos lotes vizinhos para que os animais possam pelo menos tomar água”, relata o produtor Alaor Teixeira, dono de um lote no Capão Bonito 2 que fica na região do Travessão do Patinho, área  especialmente crítica em termos de recursos hídricos. O lençol freático é muito baixo e poucos assentados dispõem de poço artesiano, muito menos de sistema de irrigação.

Na propriedade do senhor Alaor, dono de um rebanho de 60 cabeças, a produção diária caiu pela metade, de 60 para 30 litros, embora esteja oferecendo de alimentação ao gado uma quirela de milho e cana triturada. “O custo fica muito alto, porque só a quirela sai a R$ 0,20 o quilo”, explica. Esta mesma dificuldades é enfrentada  no Assentamento Eldorado, na região do Bafo da Onça, que concentra 280 famílias.

Mesmo para produtores que dispõem de melhor estrutura como o assentado Joselito Lourenço, que arrenda pastagens dos vizinhos para abrigar suas 42 cabeças de gado, a atividade está comprometida com a estiagem. Os 60 dias de seca, combinados com a geada da semana passada, praticamente destruíram o pasto.  A produção caiu 76%, de 75 litros para 18 litros por dia.

Com baixa produção leiteira pequenos produtores esperam ansiosos pelo fim da estiagem“Nem vale a pena entregar esta produção para o laticínio, mesmo com a indústria pagando R$ 0,72 por litro”, explica.  Os custos aumentaram porque o rebanho está sendo alimentado com cana triturada misturada com quirela de milho. Toda a estrutura de produção do lote foi custeada com recursos próprios do assentado, que até agora não teve acesso aos recursos do Pronaf porque não conseguiu obter do Incra a DAP (Declaração de Aptidão do Produtor).

“Por enquanto ainda não dá pra viver da produção leiteira, que me dá uma renda de um salário mínimo por mês. Minha mulher mora no sitio, enquanto vou para cidade trabalhar na construção civil”.  Está nos seus planos, quando tiver acesso ao financiamento, implantar um sistema de irrigação da pastagem.

O fim do período de estiagem também está sendo aguardado com expectativa por um vizinho de Joselito, o assentado Carlinhos Nascimento, do Eldorado 2. A produção das suas 12 vacas caiu de 40 para 16 litros, mas está preferindo não entrega ao laticínio. É pouco leite para compensar o custo de levar este leite até o resfriador que fica a 5 quilômetros do seu lote.