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Sidrolandia

Condenado e preso por um crime que não cometeu, luta na justiça por indenização R$ 6 milhões

Por conta da implicação no caso, ele disse ter sido torturado, feito nos tempos da ditadura brasileira

Correio do Estado

13 de Setembro de 2012 - 07:09

Enriqueceria o enredo de um clássico conto policial a história de Cícero, 57 anos, um ex-vendedor ambulante, campo-grandense, que hoje luta na Justiça pela indenização de R$ 6 milhões, por reparo moral, causado pelo assassinato da ex-mulher, crime pelo qual provou judicialmente nunca ter participado.

Por conta da implicação no caso, ele disse ter sido torturado, feito nos tempos da ditadura brasileira, amargou sete meses atrás das grades, foi condenado a 16 anos de prisão, viveu foragido por seis anos e, levado a júri popular, o Poder Judiciário reconheceu sua inocência, mas somente 18 anos depois de incluí-lo no rol dos criminosos.

Cícero Leite da Silva e a mulher Maria Ramalho de Oliveira se conheceram em meados de 1982, na cidade de Eldorado, sudoeste de Mato Grosso do Sul, a 441 km de Campo Grande. Ele tinha 20 anos de idade e, ela, à época, já avó, 42 anos.

Maria, separada, aceitou o convite de Silva, vindo morar em Campo Grande, em 1985, três décadas atrás. Ele vendia chocolate e picolé na antiga rodoviária da Capital e ela negociava salgados.

O romance durou até novembro de 1985, quando entrou na história de Cícero o ex-policial civil Ramão Roberto da Silva, então com 35 anos.

Tudo dito aqui foi narrado em depoimentos registrados pelo Ministério Público Estadual e pelo Poder Judiciário sul-mato-grossense.