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Sidrolandia

Delcídio diz à PF que queria soltura de Cerveró por questões humanitárias

Ele ainda afirmou que não pretendia falar com ministros do STF sobre o caso.

G1

27 de Novembro de 2015 - 10:51

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) disse em depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (26) que queria a soltura do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró por "questões humantárias". Cerveró está preso no Paraná pela Operação Lava Jato. A GloboNews teve acesso ao depoimento dado por Delcídio aos policiais. 

O senador foi preso nesta quarta-feira (27), em Brasília, sob a acusação de estar atrapalhando as investigações da Lava Jato. Uma gravação de conversa telefônica entre Delcídio e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, serviu de base para a Procuradoria-Geral da República pedir a prisão.

Na gravação, Delcídio fala que vai procurar políticos e ministros do STF para tentar influir no caso de Cerveró. A conversa mostra também que o senador oferece R$ 50 mil mensais para a família do ex-diretor em troca de Cerveró não citar Delcídio em depoimento de delação premiada. Além disso, o senador oferece uma rota de fuga para Cerveró, que passaria pelo Paraguai até chegar à Espanha.

Perguntado pelos policiais se tinha algum interesse na soltura de Cerveró, Delcídio respondeu que sim, substancialmente por motivos pessoais, por conhecer a familia e ter trabalhado com Cerveró. O senador afirma que presumia o sofrimento a que, na opinião dele, vem sendo submetido Cerveró,  e que, por isso queria a soltura por questões humanitárias

No depoimento aos policiais, Delcídio, que já ocupou cargo executivo na Petrobras, disse que conhece Cerveró desse período. Ele também afirmou que foi consultado pela então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, sobre uma possível indicação de Cerveró para a área internacional da estatal. Ele afirmou que se manifestou favoralmente à nomeação, por já conhecer o trabalho do ex-diretor.

O senador também disse que Dilma já conhecia Cerveró, de quando ela foi secretária de Minas e Energia no Rio Grande do Sul.

Segundo Delcidio, a área de exploração de gas era bastante desenvolvida no Rio Grande do Sul e havia contatos permanentes entre diretoria de gás e energia da Petrobras, que era a diretoria onde trabalhava Cerveró no período, e a secretaria então comandada por Dilma.

O senador negou que tenha participado do processo para compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, que deu prejuízo à Petrobras e é investigada pela Lava Jato. Cerveró era diretor da área internacional quando ocorreu a compra, em 2006. Delcídio já era parlamentar.

Ministros

O senador também respondeu aos policias sobre o trecho da gravação em que Delcídio diz para Bernardo que vai procurar ministros do STF para tratar sobre o caso Cerveró.

No depoimento, Delcídio relatou que essa foi uma forma de "confortar" Bernardo. O senador disse ainda que não procuraria os ministros, porque seria infrutífero.

Advogado de Cerveró

Os investigadores também questionaram Delcídio sobre a relação dele com o advogado de Cerveró, Édson Ribeiro, preso nesta sexta por também, segundo a PF, ter participado do esquema para prejudicar as investigações.

Delcídio confirma que nos últimos três meses manteve contato com Ribeiro. Segundo o senador, o advogado dizia que queria tratar de créditos que afirmava dispor junto à Petrobras.

Delcídio explica que Ribeiro pretendia que o senador intercedesse junto à estatal nos pagamento de honorários que o advogado estava com difuculdade de receber.