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Sidrolandia

Delegado acredita que não houve troca de tiro onde grávida foi baleada

Perícia constatou que não há perfurações onde PM estava. Projétil encontrado no carro da vítima pode ser de fuzil.

G1

12 de Julho de 2010 - 16:40

O delegado titular da 44ª DP (Inhaúma), Antônio Nunes, afirmou que a perícia constatou não ter ocorrido troca de tiros no local onde uma grávida de 8 meses foi baleada de raspão, no subúrbio do Rio, na noite de domingo (11). Segundo ele, não foram encontradas perfurações de bala onde a patrulha da Polícia Militar estava.

“Aparentemente não houve troca de tiros”, disse ele. Segundo o delegado, o prazo para o laudo final da perícia ficar pronto é de 30 dias. Inicialmente, a informação é de que o carro tenha sido atingido por pelo menos quatro tiros. A Polícia Militar abriu sindicância para apurar a ocorrência.

O delegado ouviu o depoimento do homem que estava com a grávida – que inicialmente foi identificado como marido da vítima - na manhã desta segunda-feira (12). “Eu afirmo categoricamente que o tiro partiu da patrulha”, disse ele ao sair da delegacia.

O delegado também esteve no local do crime e afirmou que vai ouvir o porteiro que estava na guarita de segurança da empresa Braso Lisboa, onde a patrulha da PM estava estacionada.

Além do porteiro, o delegado também vai ouvir, pela segunda vez, os dois PMs envolvidos, além da grávida. “A mulher será ouvida novamente porque ela afirma que não viu disparo de arma de fogo”, contou.

No local foram encontrados quatro estojos de fuzil 762. No carro da vítima, um Vectra, a perícia encontrou um projétil na câmera de ar. “Não há como afirmar, mas possivelmente é de fuzil. Será encaminhado para perícia, vamos pedir as armas usadas pelos PMs envolvidos para fazer a comparação e ver se esses disparos saíram daquelas armas”, explicou Antônio Nunes.

Versão da vítima
O homem que estava com a grávida afirma que foram policiais militares que atiraram contra seu carro. Ao contrário do que disseram os PMs na delegacia, ele conta que não houve troca de tiros entre policiais e criminosos.

“Que troca de tiros que houve? Qual troca de tiros que houve? Eles (os policiais militares) não estavam atirando em ninguém. Eles estavam atirando em mim mesmo. Foi em mim que deram os disparos”, disse o marido da grávida ao registrar o caso na 44ª DP (Inhaúma) na noite de domingo (11).

Como foi o caso
O carro do casal passava pela Avenida Martin Luther King, entre os bairros de Engenho da Rainha e Inhaúma, no subúrbio do Rio, quando, segundo a polícia, um carro escuro passou atirando contra a patrulha. Houve revide e tiros atingiram o carro do casal e a grávida, que levou dois tiros de raspão.

“Como era um lugar iluminado e tinha uma viatura policial parada na porta da garagem de ônibus, o que eu fiz: joguei o carro pra minha direita e ia parando. Quando fui parando o carro, vi que eles começaram a desferir disparos”, contou o home que estava com a grávida.

De acordo com a polícia, uma patrulha costuma ficar baseada nas proximidades de uma garagem de ônibus para reprimir os assaltos a veículos, que ocorriam com frequência na região. O local fica a cerca de 200 metros do acesso à Favela da Galinha.

A grávida contou que tinha aberto a porta do carro para iluminar o interior do veículo e procurar o celular que tinha deixado cair no chão, quando ouviu os tiros. Ela, que estava no banco do carona, se abaixou e, de acordo com o registro feito na 44ª DP, não viu de onde partiram os tiros. Só depois reparou que tinha sido atingida.