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Sidrolandia

Dr. Maurilio pagou antecipado R$ 100 mil de aluguel a clínica que ficou 30 meses fechada

O projeto de adaptar no local a maternidade da cidade foi vetado pelo corpo clínico do hospital Soriano Correia da Silva que é administrado pela Associação Beneficente de Maracaju.

Flávio Paes/Região News

17 de Setembro de 2012 - 13:52

Foto: Domingos/Assessoria

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Prédio locado pela prefeitura em 2008

A Prefeitura de Maracaju, com o aval do ex-prefeito Maurilio Azambuja, pagou antecipadamente R$ 100 mil pelo aluguel do prédio, onde funcionava a clínica do médico Johnson Renato Santos Ribas, que ficou fechada durante os 30 meses de vigência da locação. O projeto de adaptar no local a maternidade da cidade foi vetado pelo corpo clínico do hospital Soriano Correia da Silva que é administrado pela Associação Beneficente de Maracaju.

A entidade é mantida exclusivamente com recursos da Prefeitura e do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo o prefeito Celso Vargas, o contrato de locação foi firmado às vésperas do início da campanha eleitoral de 2008 (em 05 de junho daquele ano) e terminou em 05 de dezembro de 2010. Metade do valor de 30 meses de aluguel (R$ 50 mil) foi pago no ato da assinatura e o restante quatro dias depois (em 09 de junho de 2008).

Celso Vargas garante que esta sangria de recursos públicos celsoreservados para a saúde não foi estancada em sua gestão, porque o contrato tinha uma cláusula (a terceira, item-c) que considerava a locação “irretratável, não havendo qualquer direito a restituição pecuniária caso a locadora venha a desistir da exploração do imóvel a qualquer tempo”.

hospitalOu seja, como o aluguel já tinha sido pago antecipadamente, conforme o prefeito, não havia o que fazer a não ser aguardar o fim do prazo de vigência. O prédio que custou R$ 3,333 mil por mês de aluguel e que por quase três anos ficou fechado, tem quatro módulos, sendo um administrativo, um de quatro apartamentos; um centro cirúrgico, além do módulo de enfermaria e estacionamento. Fica na esquina das ruas Melânio Garcia Barbosa e Marabá.

Além da oposição dos médicos, o que acabou inviabilizando o projeto de transformar a clínica em maternidade, de acordo com o prefeito, foi à falta de equipamentos em condições de uso. “O contrato previa a locação do prédio com equipamentos. O problema é que praticamente todos estavam quebrados ou ultrapassados”, argumenta.

Conforme o inventário de acessórios médicos anexado ao contrato de locação, o prédio foi alugado com camas de madeira, sem estrado e sem colchão; estufa para esterilização, um painel de oxigênio, incubadora, ar-condicionado, com defeito. O relatório é assinado pelo dono da clinica, Johnson Renato Santos Ribas e o administrador da Associação Beneficente de Maracaju, Marcos Gianerin.

Este contrato “extremamente desfavorável ao interesse público”, na avaliação do prefeito, mostra que o ex-prefeito “não tem autoridade para agora vir se apresentar como gestor competente capaz de, num passe de mágica, fazer uma revolução na saúde em Maracaju”. Com os R$ 100 mil que “literalmente foram para o ralo, desperdiçados”, a Prefeitura teria condições, por exemplo, de comprar e equipar uma UTI Móvel, usada no transporte de pacientes em estado grave.