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Sidrolandia

Economia informal no Brasil movimentou R$ 578 bilhões em 2009, revela FGV

O número divulgado nesta quarta não deixa dúvidas quanto à dimensão atingida pela atividade subterrânea no Brasil.

O Globo

21 de Julho de 2010 - 13:57

A economia informal brasileira movimentou R$ 578 bilhões em 2009, mais do que o PIB da Argentina, informaram nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO). Com a divulgação do novo Índice de Economia Subterrânea, pela primeira vez o Brasil conhecer o tamanho de sua produção de bens e serviços deliberadamente não reportados ao governo.

"A nova forma de mensuração é uma evolução natural e necessária do índice e o torna muito mais preciso, ainda que, por conta da própria característica da matéria estudada, seja obtido em forma de estimativa", explica Fernando de Holanda Barbosa Filho pesquisador do Ibre/FGV e responsável pelo estudo. Para ele, a obtenção desta estimativa é um excepcional avanço e responde a uma das principais questões, ou seja, medir o quanto se produz na economia subterrânea brasileira e comparar isso com outros indicadores, obtendo-se uma ordem de grandeza concreta.

O número divulgado nesta quarta não deixa dúvidas quanto à dimensão atingida pela atividade subterrânea no Brasil.

"Estamos falando de quase R$ 600 bilhões, que ficam à margem da economia formal brasileira. Para dar uma idéia da gravidade desse problema, basta lembrar que a economia subterrânea do Brasil supera toda a economia da Argentina", ressalta André Franco Montoro Filho, diretor executivo do ETCO, para quem o valor chamará mais atenção da opinião pública para o assunto e abrirá ainda mais espaço para a discussão sobre suas conseqüências para o País.

O estudo permite ainda que seja feita a comparação dos valores desde o ano de 2003, quando foi iniciada a série de estimativas do índice. No período, os valores absolutos passaram de R$ 357 bilhões para os atuais R$ 578 bilhões. Como o PIB teve um crescimento de R$ 1.700 bilhões para R$ 3.143 bilhões, percentualmente observa-se uma queda na comparação, de 21% para 18,4% em seis anos.

A informalidade, além de suas relações com o crime organizado e de precarizar as condições de trabalho, traz prejuízos diretos para a sociedade, cria um ambiente de transgressão, estimula o comportamento oportunista com queda na qualidade do investimento e redução do potencial de crescimento da economia brasileira. Além disso, acrecescenta a FGV, provoca a redução de recursos governamentais destinados a programas de educação, saúde e infraestrutura.