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Sidrolandia

Em 13 anos, população do Quebra Coco cai de 4 mil para estimados 1.500 habitantes

Em 13 anos, a população de Quebra Coco despencou de 4 mil habitantes em 2000, para estimados aproximadamente 1.500 habitantes ou até menos.

Flávio Paes/Região News

14 de Outubro de 2013 - 13:29

Foto: Marcos Tomé/Região News

Em 13 anos, população do Quebra Coco cai de 4 mil para estimados 1.500 habitantes

 

Enquanto a população de Sidrolândia registrou ano passado crescimento populacional de 6%, a maior taxa entre os 79 municípios de  Mato Grosso do Sul, se aproximando dos 50 mil habitantes, o distrito de Quebra Coco vem sofrendo um esvaziamento populacional. A razão principal é  o fechamento da única fonte de emprego , a Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool, a Usina Santa Olinda. 

Em 13 anos, a população de Quebra Coco despencou de 4 mil habitantes em 2000, para estimados aproximadamente 1.500 habitantes ou até menos, porque nos últimos quatro meses famílias inteiras foram embora para trabalhar em municípios vizinhos. Nem a pavimentação da rodovia até Dois Irmãos Buriti, em pleno andamento, que tornará o distrito um ponto de passagem para quem vem da região sul do Estado (Dourados e Ponta Porã)  com destino ao Pantanal, anima a população.

Na Vila Santa Olinda, construída para abrigar funcionários da usina, 15 das 50 casas estão vazias, porque os antigos moradores mudaram para cidades vizinhas onde encontraram emprego. Cristinei Amorim, 23 anos, foi para Rio Brilhante, onde o marido, Reinaldo, foi contratado por uma usina de álcool.

“Isto aqui vai virar um lugar de aposentado”, acredita dona Izaura Queiroz, 67 anos, que desde os 16 anos, mora no Quebra Coco. “Isto aqui era um lugar movimentado, onde havia emprego, o dinheiro circulava”, relata. Ele sente saudade especialmente da animação dos bailes que até os anos 60 e 90 atraiam pessoas de toda a região.

Outra evidência de que a população está indo embora de Quebra Coco está na Escola Estadual Vespasiano Martins. Em 2008, estavam matriculados 880 alunos, neste ano só há 340. Nos períodos vespertino e noturno, só funcionam duas salas. Como tem menos de 2.500 moradores, o distrito perdeu direito a uma equipe de saúde da família e hoje só uma vez por semana o médico presta atendimento. 

Em 13 anos, população do Quebra Coco cai de 4 mil para estimados 1.500 habitantesA ambulância está quebrada, mas há um carro de apoio para transportar até a cidade quem precisar de atendimento emergencial. A vinda semanal do médico está suspensa até dia 18 de outubro, quando ele volta de férias.  Outro reflexo das dificuldades dos moradores é que boa parte não está conseguindo  nem pagar a conta de água. No dia em que a reportagem do Região News esteve no distrito, o funcionário da empresa terceirizada pela Sanesul, tinha programado 30 cortes.

Já eram quase 11 horas e ele não havia iniciado ainda o serviço porque o pneu da sua motocicleta furou e único borracheiro de Quebra Coco tinha viajado para Sidrolândia. “Tem o borracheiro da empreiteira que está fazendo o asfalto para Dois Irmãos do Buriti, mas cobra R$ 50,00 pelo um remendo, melhor comprar um pneu novo”, explica o funcionário.

O comércio de Quebra Coco agoniza junto com o esvaziamento econômico do distrito. Na Avenida Mato Grosso do Sul, a principal via do distrito, restam poucos estabelecimentos abertos. O comerciante Pulchério, de 54 anos, é o dono do único supermercado em funcionamento. Depois que seus concorrentes sucumbiram diante da inadimplência gerada pelo fechamento da usina, Pulchério só vende com pagamento em dinheiro.

Entre os moradores que foram demitidos da Usina, alguns esperam anos a fio pelo pagamento das suas indenizações. É o caso de Maria Aparecida Osório, dispensada há seis anos depois de 10 anos de serviço na Santa Olinda, onde atuava na aplicação de herbicida na lavoura.

Entrou na Justiça para cobrar seus direitos, ganhou, mas não recebeu nada, nem os advogados conseguiram encontrar bens em nome da indústria que eventualmente pudessem ser penhorados.