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Sidrolandia

Em crise, Via Blumenau atrasa salário e está com produção parada há 30 dias

Os trabalhadores estão com dois meses de salário em atraso e há promessa de que recebam o salário referente a setembro nesta quinta-feira.

Flávio Paes/Região News

10 de Novembro de 2016 - 09:21

A unidade industrial de Sidrolândia da Via Blumenau está com a produção parada há 30 dias, os 24 funcionários só estão cumprindo expediente para não correrem o risco de perder seus direitos por abandono de emprego. Os trabalhadores estão com dois meses de salário em atraso e há promessa de que recebam o salário referente a setembro nesta quinta-feira.

Pelo menos cinco funcionários demitidos tiveram que recorrer à Justiça porque a empresa não pagou a indenização rescisória e  como não vinha recolhendo o FGTS,o, eles não conseguem sacar o saldo do (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, muito menos se habilitar ao seguro-desemprego. Segundo a advogada que os trabalhadores, Maria Ivone Domingues, a Justiça do Trabalho agendou para março do ano que vem a primeira audiência de conciliação e até lá não há o que se fazer.

Segundo informações, a indústria que vinha confeccionando em média 400 peças diárias, teve de parar as máquinas porque desde 2014 perdeu a isenção de ICMS (que é concedida ao segmento de vestuário) por não ter cumprido metas de expansão e investimentos previstos como contrapartida aos incentivos que lhe foram concedidos.

Sem o incentivo, o custo de produção se inviabiliza porque a matéria-prima vinda de Santa Catarina é tributada em 17% e a saída do produto acabado em mais 17%, gerando custo de R$ 2 mil por carga.

 Não é de agora  que a indústria vem enfrentando dificuldades. No último mês de março a Secretaria de Fazenda suspendeu alguns dias à inscrição estadual da empresa de contribuinte de ICMS, por atraso no pagamento do imposto renegociado. Recuperou a inscrição porque seu recurso foi acolhido já que, conforme a legislação, a medida só poderia ser adotada após seis meses de inadimplência.

Em junho de 2013 o presidente da Via Blumenau chegou a anunciar ao prefeito Ari Basso à intenção de desativar a unidade por conta de um passivo trabalhista de R$ 700 mil.

A Justiça do Trabalho deu ganho de causa numa ação em que o Sindicato da categoria cobrava que o intervalo de refeição do pessoal que entrava às 13h30 horas e saia as 22h00 fosse ampliado de 30 para 60 minutos e o recebimento retroativo como hora-extra desta meia hora. O turno foi extinto e aproximadamente 100 funcionários foram demitidos. Foi feito um acordo que reduziu a indenização pela metade para ser paga em 24 parcelas.

No seu auge, a empresa chegou a ter 250 funcionários (hoje tem 10% deste contingente) com produção diária de 4 mil peças. Em 2009, Via Blumenau concluiu investimento de R$ 4 milhões na sua unidade local, com instalação de 18 teares de malharia que ampliaram a capacidade de produção de 180 toneladas.

Na ocasião chegaram a ser anunciados novos investimentos para instalação do setor de estamparia e numa etapa seguinte a tinturaria e o centro de distribuição na capital. O plano foi abortado por conta da conjuntura do setor têxtil e também porque não foi viabilizada uma operação de crédito com recursos do FCO (Fundo Constitucional do Centro Oeste) para financiar o projeto.