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Sidrolandia

Em debate na OAB-MS famílias das vítimas do crime mostram indignação e saudade

Todas as audiências do processo já foram feitas, mas o julgamento ainda não tem data marcada. Uma angustia para os pais que clamam por justiça

MS Record

13 de Setembro de 2012 - 16:10

A Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) quer ajudar as famílias de quem teve filhos ou parentes, sequestrados e mortos aqui no Estado. E realizou hoje (13) um debate com o tema "Não podemos esquecer".

A demora na conclusão de alguns casos e, em condenar os culpados pelos crimes, transforma em dor e sofrimento a vida daqueles que esperam por justiça.

Na varanda de casa que a avó do Brunão, passa boa parte do dia. Tenta encontrar conforto diante da violência que tirou a vida do neto. Em casa, a avó, mantém o quarto do neto.

“Eu sou sozinha, porque ele era o único companheiro meu. Quase todos os dias eu amanheço no quintal”, afirma a avó de Brunão, Maria Escobar Gonçalves.

Uma ferida que parece ser difícil de cicatrizar. “Ele não saiu daqui, pra mim, é como se ele tivesse aqui. Esse quarto é o quarto que ele gostava, que ele fazia tudo e tudo dele continua aqui. Eu não abandonei ele e eu sei que ele não me abandonou. Ele foi prejudicado por esse rapaz que fez isso com ele”, declarou Maria.

Jefferson Bruno Gonçalves, o Brunão, morreu aos 23 anos, na madrugada do dia 19 de março de 2011. Era segurança de uma casa noturna, morreu com um golpe no peito. O assassino, Cristiano Luna de Almeida, de 23 anos, foi preso em flagrante hora depois e indiciado por homicídio doloso, que demonstra a intenção de matar. O advogado de defesa conseguiu derrubar as qualificadoras, por ser réu primário, o acusado está em liberdade.

Todas as audiências do processo já foram feitas, mas o julgamento ainda não tem data marcada. Uma angustia para os pais que clamam por justiça.

“Eu nunca quero que o criminoso pague além do que ele deve e nem á quem, certo? Se ele for condenado, pelo conselho de sentença, que ele cumpra a pena e eu estarei satisfeito”, garantiu o pai de Brunão, João Márcio Escobar.

“Pelo menos ele vai perde a liberdade e vai ter que pagar, ele vai pagar pelo crime que ele fez, então, a gente não vai pensar assim: enquanto meu filho está lá, ele está no bem-bom curtindo a vida. Acho que vai melhora um pouco, vamos pensar: pelo menos ele não matou um bicho, ele está lá pagando pelo o que ele fez”, declarou a mãe de Brunão, Edicelma Gomes Vieira.

O advogado da família entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça em Brasília e aguarda que o parecer seja favorável. “Por esse recurso não ter efeito suspensivo, provavelmente, o processo deve estar este mês voltando para a origem e aí vai fica a cargo do Doutor Aluísio, que é o juiz presidente da 2ª Vara do Tribunal do Júri, inserir esse processo a pauta de julgamento. Creio eu, que no mais tardar, em novembro ou dezembro deve estar saindo esse júri”, garantiu o advogado.

Diante da morosidade á demora judicial o caso do Brunão é apenas mais um do vários que aguardam a resposta da Justiça. Por isso OAB-MS, realizou hoje (13) um debate para não deixar que casos caiam no esquecimento.

Autoridades que atuam na repressão dos crimes e parentes de vitimas se reuniram no auditório. Faixas e cartazes com palavras de ordem e justiça, também foram apresentados em forma de protesto. Os pais dos estudantes Breno Luigi Silvestrini, e Leonardo Batista Fernandes, também compareceram ao local e fizeram um discurso de indignação.

“O meu filho foi trocado por R$ 3 mil e o filho dele foi trocado por R$ 3 mil”, declarou o pai de Breno.

“Esses fatos que ocorreram em Mato Grosso do Sul não podem ser esquecidos. O que nós queremos é a aplicação da lei”, afirma o presidente da OAB-MS, Leonardo Avelino Duarte.

O presidente da OAB-MS pede mais rigor nas leis, principalmente a entrada e saída de carros roubados na fronteira com o Brasil.

“Atitude firme do governo brasileiro contra o governo boliviano, fala assim: ‘isso não pode ocorrer, vocês não podem simplesmente legalizar um carro que vocês sabem que foi roubado no Brasil”, concluiu.