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Sidrolandia

Em São Gabriel, Eleitor é impedido de votar e descobre que está “morto

A situação se repercutiu também dentro da família do ex-policial, onde todos ficaram tristes e indignados ao mesmo tempo

Idest

06 de Outubro de 2014 - 17:00

Na manhã deste domingo (05), o policial civil aposentado Zildo da Rosa Raulino, de 52 anos, foi impedido de votar depois de chegar à 26ª seção da 40ª zona eleitoral de São Gabriel do Oeste, na Escola Bernardino Ferreira da Cunha, Centro, onde foi informado pelo secretário e mesários que não poderia votar, pois constava no caderno de votação que seu título eleitoral estava cancelado.

Sem saber ou imaginar o motivo que o levou a ter o título cancelado e se sentindo constrangido em meio aos mesários e amigos que estavam naquele momento no local de votação, Zildo foi orientado a procurar o Cartório Eleitoral para verificar sua situação, onde comprovou o fato e pediu para verificar o motivo de tal cancelamento de seu título, momento em que foi surpreendido ao ser informado pela atendente de que seu nome constava nos registros do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), como falecido.

Procurado por nossa reportagem, Raulino comentou sobre o ocorrido. “Fiquei bastante envergonhado e chateado, pois fiquei numa situação constrangedora quando me falaram que meu título estava cancelado e que eu não podia votar, pois estava na presença dos meus amigos, que estavam na fila junto comigo. Não imaginava o que podia ter acontecido, pois nunca deixei de votar, até quando estava viajando eu retornava para São Gabriel no dia das eleições para não ter que justificar o voto e também nunca tive problema nenhum com a justiça ou algo semelhante que pudesse justificar o cancelamento do meu título”.

Chocado com a notícia inesperada, o eleitor conta que alguns amigos policiais que estavam no cartório naquele momento começaram a brincar com a situação dando “risadinhas” com ele, para disfarçar o estado de choque que ele e todos ficaram ao saber do real motivo que o levou a ter o título cancelado. Diante do problema um tanto surreal, o policial aposentado foi atendido pela chefe de cartório do município, que tirou cópia de seu título de eleitor e comprovante de votação da última eleição, lhe informando que iria repassar os documentos ao TRE e presumindo que o caso fosse resolvido após o período eleitoral, e sugerindo que o mesmo tenha perdido seu direito de voto nessas eleições.

Após sair do cartório, o policial aposentado conta que voltou a seção onde vota para justificar aos mesários o porquê de seu título estar cancelado, a fim de que os mesmos não o levassem a mal, imaginando que ele poderia estar envolvido em algum crime ou coisa parecida. “Fiquei muito chateado, meio sem chão, imaginando como se aquele não fosse meu mundo”, comentou Raulino, dizendo ainda que após o termino das eleições, quando foi ajudar a esposa, que trabalhou como presidente de mesa, a transportar a urna eleitoral encontrou um grupo de pessoas comentando sobre as eleições e os seus votos disse ter se sentido naquele momento indigno, tendo sua cidadania velada, “parecia que eu não estava naquele meio ali, me senti bem mal, para baixo”. Afirmou.

Zildo, que se diz ser um homem que sempre zelou pela cidadania, afirmando ter sempre buscado conversar com os filhos, explicando-os sobre a importância de se participar do pleito eleitoral e ajudar na escolha do futuro do nosso País, conta que esta foi a primeira vez que ele ficou sem votar em uma eleição. “Minha mulher trabalhou quase 15 anos como chefe de cartório eleitoral e sempre estive e estou junto com ela, ajudando e participando da melhor maneira possível do pleito eleitoral, inclusive quando atuei como policial e agora que estou aposentado me ocorre uma situação lamentável desta”.

A situação se repercutiu também dentro da família do ex-policial, onde todos ficaram tristes e indignados ao mesmo tempo. “Todos acharam chato de mais, tanto minha esposa, quanto meus filhos e netos, é percebido no olhar deles que sofreram com o episódio também”, comentou Raulino, contando ainda que mostrou a certidão emitida no site do TRE para seu filho, que se emocionou lendo o documento, que consta que o mesmo estava quite com a Justiça Eleitoral até a data de seu “óbito”, registrado segundo ele, em 21 de outubro de 2012.

Morando há 26 anos em São Gabriel do Oeste, onde atuou na função de Policial Civil por cerca de 25 anos, essa e a primeira vez que o morador presencia uma situação semelhante a essa no município, ainda mais sendo ele a vítima. “Fico indignado com isso, não caiu a ficha ainda, as vezes me dá até vontade de chorar, é difícil de entender como um órgão federal de tamanha grandeza, um dos mais informatizados do País possa cometer um erro desse porte, o qual motivou muita tristeza por ter tirado meu direito de cidadão e ter ceifado não a minha vida como ser humano, mas ter matado o meu direito de participar do destino do meu País, a minha dignidade e minha cidadania”. Desabafou a vítima.

Cartório Eleitoral

Após conversar com Zildo, nossa reportagem também tentou entrar em contato com o Cartório Eleitoral da 40ª Zona Eleitoral de São Gabriel do Oeste, porém não obtivemos êxito em razão do fechamento do mesmo na data de hoje por conta do período de folga após as eleições.