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Sidrolandia

Erro do piloto pode ter derrubado jato de Campos

A análise dos destroços recolhidos no local do acidente com o jato executivo do candidato a presidência Eduardo Campos começa a indicar as primeiras possibilidades da tragédia

Band

20 de Agosto de 2014 - 13:34

Um erro de procedimento do piloto é uma das hipóteses para a tragédia com o jatinho que levava Eduardo Campos, em Santos (SP). No manual do fabricante existe um alerta sobre uma manobra que deve ser evitada porque pode derrubar esse modelo de avião.

A análise dos destroços recolhidos no local do acidente com o jato executivo do candidato a presidência Eduardo Campos começa a indicar as primeiras possibilidades da tragédia que matou sete pessoas na semana passada. Para os peritos, os flaps do jato podem dar a resposta.

O acionamento dos flaps serve para dar mais sustentação ao avião em baixa velocidade e altitude, na hora do pouso, da decolagem e também em caso de arremetida, como aconteceu no dia do acidente. A recomendação da Cessna é que os flaps não sejam recolhidos quando o avião voltar a acelerar e passar dos 370 quilômetros.

O alerta está no manual dos pilotos: "Atenção, não recolha os flaps acima de 200 nós (370 km/h)”. O movimento associado do estabilizador pode provocar um mergulho significativo do bico da aeronave se esse movimento não for evitado.

“A arremetida em Santos é feita em curva e subindo. Eu tenho a impressão que ele na curva recolheu o flap, o avião picou, ele não conseguiu recuperar e deve ter batido em alguma coisa. Foi aí que começou o acidente", afirmou Ruy Torres, piloto aposentado.

Segundo testemunhas, o avião teria caído de bico. O Cessna Citation 560 XL possui um sistema de proteção para evitar o recolhimento dos flaps nessa situação. De acordo com o comandante da FAB, Brigadeiro Juniti Saito, já se sabe que os flaps estavam recolhidos, mas ainda não é possível saber se isso contribuiu para o acidente.

A força aérea diz também que se o avião tivesse uma segunda caixa preta - que grava dados do voo - seria possível apontar a velocidade e a altura da aeronave no momento da arremetida. Mas esse tipo de jato executivo não é obrigado a ter esse aparelho. Para piorar, o sistema de gravação de voz da cabine não registrou as conversas entre piloto e copiloto no dia do acidente.

Além da aeronáutica, técnicos da fabricante do avião e das turbinas apuram as causas da tragédia. A expectativa é que o trabalho demore mais de um ano para ser concluído.