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Sidrolandia

Escorpiões atacam no banheiro, residências e até hospital na Capital

Em alguns bairros, moradores fazem até coleção dos animais.

Campo Grande News

08 de Fevereiro de 2014 - 09:50

Com a proliferação de “lixões improvisados” pela cidade e a onda de calor, escorpiões atacam os moradores em vários bairros de Campo Grande. Até a Santa Casa, o maior hospital do Estado, está sob ataque dos animais peçonhentos e foi obrigada a transferir seis pacientes internados em estado grave no CTI (Centro de Terapia Intensiva) nesta semana.

Em alguns bairros, moradores fazem até coleção dos animais. O carteiro Virgolino Sérgio de Jesus, 50 anos, mora com mais 3 pessoas na casa do Bairro Guanandi, na saída para Três Lagoa. Ele já achou tantos escorpiões na residência que não consegue ficar mais tranquilo. “Nós não dormimos direito. Teve dia que eu matei sete escorpiões de uma vez”, comentou.

Em um pote de vidro ele guarda a “coleção” de escorpiões, que já chega a quase 20. “Isso foi o que eu peguei recentemente”, contou. O carteiro afirmou que a maioria dos aracnídeos veio através do ralo do banheiro. “Mas nós já achamos até em cima da cama, enquanto dormíamos”, relatou Virgolino.

Com medo ele tentou tomar providências para acabar com a invasão. “Eu coloquei panos com água sanitária em baixo das portas, nos ralos dos banheiros, comprei veneno, mas ainda não está resolvendo”, disse o carteiro.

“Nós contatamos o CCZ (Centro de Controle de Zoonose), mas até hoje eles não vieram até aqui”, lamenta Virgilio.
A vizinha de Virgilio, Eva Santana do Prado, 60, contou que há muito tempo encontrou um escorpião em casa, mas depois disso nunca mais. “O pessoal de um prédio vizinho relata que aparece muito escorpião lá. Eles se preocupam bastante”, afirmou.

Morador acionou o CCZ, mas nenhum funcionário apareceu para orientar sobre os terríveis animais (Foto: Marcos Ermínio)Morador acionou o CCZ, mas nenhum funcionário apareceu para orientar sobre os terríveis animais (Foto: Marcos Ermínio)

Na quinta-feira (6), Monique Soares, 21, foi picada por escorpião quando tomava banho no Portal Caiobá, na saída para Sidrolândia. O animal peçonhento atacou a jovem após entrar pelo ralo do banheiro.

Nesta semana, a Santa Casa divulgou que registrou infestação de escorpiões em alguns setores do hospital. Um CTI foi interditado e seis pacientes internados em estado grave foram transferidos para outro setor.

Segundo o presidente do hospital, Wilson Teslenco, o problema surgiu mesmo após a dedetização do prédio. Um dos focos pode ser o Hospital do Trauma, uma obra inacabada, que continua sem previsão de retomada porque a prefeitura não libera os recursos.

No ano passado, o Civitox (Centro Integrado de Vigilância registrou 272 ataques de escorpiões no Estado.

O escorpião é um animal que se esconde em locais longe da luz, como sob pedras, entulhos, lenha, material de construção, encanamento, dentro de calçados e roupas, no interior das casas e nos arredores. Eles se alimentam de insetos, como cupins, grilos e baratas.

O Campo Grande News entrou em contato com o CCZ e a assessoria de imprensa da prefeitura na sexta-feira, mas não houve retorno sobre as medidas que estão sendo adotadas para combater a proliferação de escorpiões na Capital. 

Escorpiões atacam no banheiro, residências e até hospital na Capital

Sintomas – O ataque de escorpiões causa dor intensa, sensação de ardência ou agulhadas e inflamação no local.
Nos casos mais graves, pode causar aumento na freqüência cardíaca, suores, enjôos, dificuldade para respirar e queda de pressão. Crianças ficam inquietas e apresentam movimentos descoordenados.

Na maioria dos casos, as picadas de escorpião podem ser tratadas em casa. São medidas importantes aplicar gelo no local, proteger a pele com um pano limpo, tomar analgésicos comuns para alívio da dor e permanecer em repouso.

Alguns escorpiões, porém, possuem um veneno muito tóxico, segundo o médico Drauzio Varela. “Se o quadro não regredir e a pessoa (especialmente se for criança) apresentar sonolência e pressão baixa deve ser encaminhada imediatamente para atendimento médico, levando consigo, sempre que possível, o animal que a atacou. Isso ajuda a identificar com mais rapidez o antídoto que deve ser administrado”, explica o médico em seu blog na internet.