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Sidrolandia

Falta espaço: veículos estão sendo empilhados em delegacias do interior de Estado

Enquanto os processos se arrastam na justiça, eles permanecem sem o devido destino

MS Record

20 de Setembro de 2012 - 13:34

Pátios de delegacias do interior do Estado, principalmente de cidades localizadas na região de fronteira, lotados. Não há mais espaço para guardar veículos apreendidos após serem usados em ações criminosas, roubo, furto, receptação, contrabando e até o tráfico de drogas. Enquanto os processos se arrastam na justiça, eles permanecem sem o devido destino.

“São veículos apreendidos, na grande maioria, com drogas. Os inquéritos, mais de 90%, já foram concluídos e cometidos ao poder judiciário, no entanto a justiça do Mato Grosso do Sul não recebe os veículos que foram apreendidos com o tráfico, então eles ficam nas delegacias”, garantiu o delegado regional, Antônio Carlos Videira.

Quem passa pelo 2º Distrito Policial de Dourados pode ver os veículos empilhados. Carros antigos e até modelos novos com pouco tempo de uso empilhados, como se fossem sucatas amontoadas em ferros velhos.

“Carros novos aqui que dá até dó de ver, a gente olhando e puxa vida, tanta gente precisando de carro e os carros apodrecendo”, relatou um morador da cidade.

Carros de luxo, estes têm sido os preferidos das quadrilhas que agem no tráfico internacional de drogas. Os veículos são furtados ou roubados principalmente nos estados de Goiás e Minas Gerais e depois são usados no transporte de entorpecente, ou ainda como moeda de troca para o tráfico.

Na segunda maior cidade do Estado o jeito foi empilhar os veículos apreendidos, em Ponta Porã, município vizinho ao Paraguai, o problema vai além. Simplesmente não há pátio na Delegacia da Polícia Federal, uma das que mais apreendem veículos com mercadorias contrabandeadas e drogas em Mato Grosso do Sul. Carros e até caminhões "guardados”, no estacionamento em frente à delegacia. Aos poucos eles vão tomando o espaço da rua.

No Estado há mais de três mil veículos nos pátios das delegacias de polícia se perdendo no tempo. “Veículos que são possíveis a devolução nós temos devolvido, comprovado a propriedade ilícita, desde que não esteja envolvido no tráfico, os veículos são restituídos. Este ano nós devolvemos mais de 30 veículos”, afirmou o delegado da Delegacia de Fronteira do Estado (Defron), João Alves de Queiroz.

No ano passado foi criada em Mato Grosso do Sul uma comissão de alienação de bens para julgar casos assim. A proposta é desafogar os pátios das delegacias e desarmar as quadrilhas. Os veículos perdidos pelos bandidos se transformam em recurso destinado ao estado e investido em ações de combate ao crime organizado.

“O último que nós tivemos em Dourados, foi há mais de três anos. Nesse período com a fomentação das apreensões, as ações de prevenção e repressão, fez com que nossos pátios se amarrotassem. Nós tivemos de optar, para não deixar esses veículos na rua, em empilhá-los. Não tinha outra opção”, concluiu o delegado Antônio Carlos Videira.

Conforme a assessoria de imprensa do governo do Estado, os carros permanecem nas delegacias, à disposição da justiça, até que os proprietários sejam julgados. Caso sejam condenados, os veículos vão à leilão organizado pelo Conselho Estadual Antidrogas. O conselho informou que os leilões seguem um cronograma, que no mês passado foi realizado um, em Campo Grande, e no mês que vem, será a vez de Ponta Porã. Não há previsão para o leilão dos carros apreendidos em Dourados. O recurso arrecadado é investido pelo Estado em ações de combate ao crime organizado.