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Sidrolandia

Fitch rebaixa nota do Brasil, mas país segue com grau de investimento

A agência projeta que o déficit do governo se deteriore e chegue perto de 9% do PIB em 2015.

G1

15 de Outubro de 2015 - 10:27

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do Brasil de "BBB" para "BBB-", mas ainda dentro do grau de investimento. A perspectiva foi mantida em negativa, o que significa que o país pode voltar a ser rebaixado em um futuro próximo.

A nota "BBB-" é a última dentro do chamado grau de investimento, espécie de selo de país bom pagador de sua dívida. Veja quadro mais abaixo

De acordo com a Fitch, o rebaixamento reflete o crescente peso da dívida do governo do Brasil, o aumento dos desafios para a consolidação fiscal e a piora do cenário para o crescimento econômico. "O ambiente político está dificultando o andamento da agenda legislativa [do Congresso], criando um ciclo negativo para a economia", disse a agência.

A Fitch explicou que a perspectiva negativa reflete a visão de que o fraco desempenho econômico e fiscal persiste enquanto as incertezas políticas continuam pesando sobre os níveis de confiança e prejudicando os investimentos e o crescimento.

A agência projeta que o déficit do governo se deteriore e chegue perto de 9% do PIB em 2015. "O impacto da recessão maior que previsto sobre as receitas do governo, dificuldade na implantação de medidas e um pano de fundo político complicado minaram a estratégia de consolidação fiscal do governo", avaliou.

No início de setembro, o Brasil perdeu o grau de investimento na classificação de crédito da Standard and Poor's (S&P).

Com o rebaixamento da Fitch, o Brasil fica mais próximo de ter a nota de crédito da sua dívida rebaixada para o grau especulativo por mais de uma agência. Na classificação da Moody´s, o país tem nota "Baa3", nível mais baixo dentro do grau de investimento, tambem com perspectiva negativ (como agora na Fitch).

Selo de bom pagador

O grau de investimento é um selo de qualidade que assegura aos investidores um menor risco de calotes. A partir da nota de risco que determinado país recebeu, os investidores podem avaliar se a possibilidade de ganhos (por exemplo, com juros maiores) compensa o risco de perder o capital investido com a instabilidade econômica local.

Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou os Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento por agências internacionais. Por isso, essa "nota" permite que o país receba recursos de investidores interessados em aplicar seu dinheiro naquele local.

Levy falou na véspera sobre riscos de um novo rebaixamento

Na véspera, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tinha dito que um novo rebaixamento da nota brasileira por agências de classificação de risco "teria um efeito muito ruim no emprego".

"Se a gente não tiver um orçamento robusto, vamos ter problemas. Teria um efeito muito ruim no emprego outro rebaixamento na nossa dívida. Não ter um orçamento que garanta a manutenção do grau de investimento é botar o emprego e as condições de vida das famílias em risco", declarou ele no Congresso Nacional.