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Sidrolandia

Greve de fiscais agropecuários interrompe saída de frangos da Seara para exportação

Eles vão liberar abates em Mato Grosso do Sul, mas não vão assinar autorização para cargas saírem do país

Flávio Paes/Região News

29 de Agosto de 2013 - 17:00

Foto: Marcos Tomé/Região News

Greve de fiscais agropecuários interrompe saída de frangos da Seara para exportação

A greve dos fiscais agropecuários do  Ministério da Agricultura  interrompeu nos últimos dois dias as exportações da unidade de Seara da Sidrolândia que destina toda a sua produção diária de 170 mil frangos abatidos para o mercado externo. No mês passado, por exemplo, a indústria exportou  mais de 18 mil toneladas.

O abate está sendo feito normalmente, os  caminhões são carregados, mas não podem deixar o pátio da indústria porque os fiscais se negam a assinar a autorização de saída das cargas para fora do País. Há pelo menos 20 carretas carregadas, mas estão impedidas de seguir viagem até os portos de Paranaguá e Santa Catarina.

A mobilização dos fiscais vai durar dois dias e é uma forma de pressionar o Governo a melhorar suas condições de trabalho. Neste fogo cruzado entre governo e fiscais, além da empresa, os mais diretamente afetados são os motoristas que  estão sendo obrigados a pernoitar dentro dos caminhões enquanto não recebem as guias de liberação das cargas.

É o caso, por exemplo, do caminhoneiro José Aparecidos, residente em Maringá, no interior do Paraná. Ele chegou em Sidrolândia na terça-feira, seu caminhão foi carregado na quarta-feira por volta das 10 horas da manhã e até agora está retido com as 26 toneladas que precisa levar até o Porto de Paranaguá. “A coisa está parada e ninguém nós  dá informação”, revela .

Ele acredita que caso nesta sexta-feira a paralisação continue, dificilmente deixará a cidade antes de segunda-feira. No Estado, pelos menos 20 mil bovinos, seis mil suínos e 800 mil aves devem ficar retidos nos frigoríficos. “O abate dos animais não será prejudicado, mas não vamos expedir documentos para liberar a saída de cargas do país”, avisou o fiscal agropecuário, Luiz Marcelo Martins Araujo.

A decisão não deverá gerar desabastecimento, mas irá atrasar a programação de exportação das empresas. “Via aeroportos e portos, não sairá nada do Brasil”, reforçou. A paralisação nesta quinta (29) e sexta-feira (30), segundo o fiscal, visa sensibilizar a sociedade sobre as dificuldades que a categoria vem enfrentando por conta da redução de 20% do orçamento do Ministério da Agricultura.

“Não temos dinheiro para nada, se tiver um surto animal ou vegetal, não teremos combustível para se deslocar e realizar a fiscalização”, relatou Luiz Marcelo. Além disso, a categoria, composta por pouco mais de três mil funcionários no país, estaria com déficit de 40% do efetivo. “Precisamos de um concurso imediato”, disse a representante do comando estadual de mobilização, Graciela Bergamaschi.

“Também cobramos a criação da escola de fiscais agropecuários para capacitar os novos profissionais e promover atualização dos atuais”, acrescentou. Os fiscais também não aceitam o descumprimento de acordo de dar subsídios à categoria sem promover redução salarial. “Abrimos mão de reajuste até 2015 em troca do subsídio, desde que não houvesse perdas, mas o Governo Federal não cumpriu a promessa e muita gente saiu prejudicada”, relatou Graciela.

A medida, inclusive, está gerando processos judiciais. “A Constituição não permite perdas salariais”, frisou a fiscal. Os profissionais também estão insatisfeitos com o uso do principal cargo da categoria para barganhar apoio político. “Tiraram um fiscal de carreira do mais alto cargo para colocar um advogado, indicado pelo PMDB”, reclamou Graciela. Outra reivindicação é promover a categoria de fiscal para auditor.

Questionado se paralisação poderá se transformar em greve, Luiz Marcelo disse que o objetivo não é estender a mobilização. “Esperamos sensibilizar a sociedade e o governo com a paralisação de dois dias”, comentou.