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Sidrolandia

Incra lança projeto para tornar Sidrolândia cinturão verde da Capital em cinco anos

O objetivo é definir ações para garantir assistência e assegurar a logística de escoamento e comercialização dos assentados que atenderão as redes de supermercados.

Flávio Paes/Região News

18 de Setembro de 2013 - 08:19

O INCRA em parceria com o SEBRAE e a Fundação Banco do Brasil lançou ontem na Capital um projeto que tem um objetivo ousado: transformar os assentamentos de Sidrolândia num cinturão verde para abastecer Campo Grande onde 70% da demanda por verduras, legumes e frutas vêm de São Paulo.

O objetivo é definir ações para garantir assistência e assegurar a logística de escoamento e comercialização dos assentados que atenderão as redes de supermercados. O principal desafio é estruturar um sistema de distribuição dos hortifrútis que envolve também manter volume, constância e qualidade de produção para os assentados se tornarem fornecedores das redes de supermercados.

Atualmente 156 famílias dos assentamentos de Eldorado e Alambari estão conseguindo faturar até R$ 5 mil por mês com a produção de verduras e legumes.  O grupo trabalha com o sistema PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) e já começou  se organizar em cooperativa.

Através do sistema, os agricultores familiares conseguiram aumentar a produção e, de acordo com o produtor Aparecido Folconery, 56 anos, do assentamento Alambari, é possível atender a demanda exigida pelos supermercados, porém, ainda falta estrutura.

Com o PAIS, a renda líquida dos produtores também subiu. Segundo o técnico da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) Jovelino Alves, agricultores familiares que antes ganhavam até R$ 500, hoje conseguem tirar por mês uma média de R$ 5 mil.

Enquanto não se organiza um sistema de produção capaz de transformar os assentados em fornecedores dos supermercados, os assentados estão conseguindo comercializar o que colhem nas suas hortas por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), executado pela Conab (Companhia Nacional de Alimentação), destinado a atender entidades filantrópicas. Eles também tem a opção de vender para a merenda escolar, até o teto de R$ 20 mil. No PPA, o limite de comercialização por produtor é R$ 6,5 mil por ano. 

Só no Assentamento Vista Alegre semanalmente são vendidos 2.500 quilos de uma extensa lista de itens, incluindo caixas de alface, rúcula, maracujá e tangerina. Francisco Quirino, um dos produtores integrados aos programas, atinge um faturamento mensal de R$ 2 mil, que é complementado com os R$ 1,5 mil assegurados com as vendas aos sábados da sua barraca instalada na feira de Sidrolândia. Há dois anos, antes de estar no programa, à renda familiar de Francisco era de R$ 600,00. Com a renda extra conseguiu poupar o suficiente para trocar de carro (trocou um Gol 85 por um Palio 2004).

Com as vendas para a merenda escolar das escolas municipais os produtores vão faturar até dezembro R$ 223 mil. Eles reunidos na Associação dos Produtores Familiares do Assentamento Alambari CUT (que fechou um contrato de fornecimento de R$ 45.853,86) ou associados a Cooperativa da Agropecuária Mista da Agricultura Familiar ( que vai fornecer  R$ 145.774,14 em frutas, legumes e verduras.  Um  dos beneficiados  é Benedito Rodrigues, do Santa Terezinha, presidente da Cooperativa. Ele vai faturar R$ 20 mil fornecendo banana para as escolas municipais. A fruta é cultivada numa área de 1,5 hectare no lote  onde também se dedica a produção de hortaliças.