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Sidrolandia

Indígenas mantêm bloqueio por tempo indeterminado na perimetral

A ação começou no domingo, após o atropelamento da indígena Lenilza Nunes, de 42 anos, que sofreu várias paradas cardíacas na UTI e morreu ontem

Dourados Agora

22 de Julho de 2014 - 09:04

Indígenas mantêm o bloqueio em parte da via perimetral construída para tirar o tráfego pesado da região central de Dourados. O manifesto se concentra nos fundos do Residencial Monte Carlo, no trecho de acesso à rodovia MS-156 que liga Dourados a Itaporã.

A ação começou no domingo, após o atropelamento da indígena Lenilza Nunes, de 42 anos, que sofreu várias paradas cardíacas na UTI e morreu ontem. A família da vítima, ontem, chegou ameaçar velar o corpo na Perimetral. Mas, segundo disse há pouco ao site, o presidente do Conselho Indígena, caiuá Silvano da Silva Duarte, os familiares da vítima passaram mal, são idosos, estava frio, e o velório acontece na casa da família.

"Não queremos expor o corpo, mais do que já foi", diz abalado o caiuá que já perdeu cinco familiares ali. Foram dois motociclistas que colidiram frontalmente, duas mulheres e um rapaz, primo dele. "São todos parentes", desabafa.

Segundo Silvano, o grupo cobra agilidade na obra dos redutores de velocidade nas quatro entradas da Aldeia Bororó, Reserva Indígena de Dourados. "Eles falam em estudos, não queremos saber, não adianta vir aqui e falar isso, nós temos pressa e não vemos problema algum em ficar aqui o ano todo, afinal isso aqui é nosso, moramos ao lado. Eles sabiam que essa obra ia cortar território indígena, agora estamos morrendo atropelados, queremos providências urgentemente. Prometeram e nada até agora", diz, revoltado, Silvano da Silva Duarte, em entrevista.

A perimetral norte inicia no entroncamento da BR-163, de acesso a Fátima do Sul, corta a MS-156 e segue até o entroncamento da rodovia Guaicurus, de acesso à Cidade Universitária e aeroporto. De lá ela segue até a BR-463, de acesso a Ponta Porã e região sul do Estado. São pouco mais de 20 quilômetros de perimetral e parte dela passa por dentro das aldeias Bororó e Jaguapiru, onde não há nenhum tipo de redutor de velocidade.

O Dourados Agora entrou em contato com a assessoria da Agência Estadual de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), responsável pela rodovia. A assessoria informou que será preciso fazer um estudo para diagnosticar a necessidade de redutores no local para somente depois fazer um projeto e executar obras.