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Sidrolandia

Indígenas ocupam prédio da Sesai e pedem saída de coordenador em MS

Índios das etnias guarani, kaiowá, guató e terena reivindicam a saída do coordenador distrital, Nelson Ozalar, além de questionar a falta de estrutura e atendimento

G1 MS

18 de Setembro de 2013 - 15:51

Cerca de 20 indígenas de diversas etnias de Mato Grosso do Sul ocuparam, nesta quarta-feira (18), o prédio do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI), em Campo Grande. O órgão pertence à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Índios das etnias guarani, kaiowá, guató e terena reivindicam a saída do coordenador distrital, Nelson Ozalar, além de questionar a falta de estrutura e atendimento. Policiais federais estiveram no local e conversaram com indígenas e funcionários.

Segundo Ozalar, os 60 funcionários da unidade interromperam o expediente após a chegada do grupo e só devem retornar ao serviço quando o prédio for desocupado. Ele disse ao G1 que vai até a Polícia Federal (PF) registrar boletim de ocorrência por invasão e pedir a reintegração de posse. “Enquanto não houver a desocupação do prédio é impossível continuar o trabalho”, afirmou.

Sobre o pedido dos indígenas para substituição da coordenação, Ozalar diz que não descarta a possibilidade. “Não descartamos que isso aconteça, mas tudo tem que ser feito nos parâmetros legais. Não é chegar aqui e falar que vão trocar o coordenador”, explicou.

Já o presidente do Conselho Distrital Indígena, Fernando Souza, afirmou que os indígenas reivindicam uma reunião com a coordenação da Sesai e nega que o grupo tenha expulsado os funcionários do prédio. “Eles reclamam da falta de diálogo com a coordenação e por isso estão aqui na busca por entendimento para resolver os problemas. As ações são de cima para baixo. Os indígenas não são consultados em nada”, explicou.

Souza reconhece que o repasse da verba federal destinado a Sesai aumentou, mas as ações para saneamento básico e saúde, segundo ele, continuam precárias. O orçamento anual cresceu de R$ 15 milhões para R$ 45 milhões em 2013, além de ter dobrado o número de funcionários, de 450 para 800, informou.

“Cada etnia tem uma particularidade, mas em todas as aldeias falta estrutura de carros, ambulâncias, medicamentos, insumos. Tem aldeia que as ambulâncias nem funcionam. Os insumos não chegam. Estrutura tem, só falta colocar em prática. No papel é tudo muito bonito”, afirmou. Em julho de 2013, os indígenas fizeram outro protesto também pedindo a saída de Olazar.

No fim da manhã, os indígenas se reuniram e decidiram ficar no prédio por tempo indeterminado. O grupo também quer a substituição na coordenação de outras 15 unidades do estado. Conforme Ozalar, no estado são 15 distritos sanitários e sete casas de saúde indígena. Ao total, 1.258 funcionários atuam no estado e, deste número, cerca de 600 são indígenas.