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Sidrolandia

Irmãs policiais mostram o diferencial da mulher em grupos de elite da PM

Notícias MS

30 de Agosto de 2010 - 10:36

Prestes a completar 175 anos de fundação, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul tem em sua elite a Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe). Com um efetivo de 138 policiais, a companhia também tem espaço para as mulheres, que apesar de serem minoria do contingente, estão aptas a atuar em conjunto e em igualdade com os homens da Cigcoe, como é o caso das irmãs Karolina Armoa Stegun e Anna Stegun. A a primeira é cabo e faz parte da equipe de Rondas Táticas da Capital (Rotac) e a segunda é soldado membro do pelotão de Rondas Ostensivas com Cães Adestrados (Roca).

Foto: Edemir RodriguêsAs irmãs contam que pelo fato de a Cigcoe ser reconhecida como a polícia de elite da PM no Estado, há uma curiosidade da população ao vê-las trajadas com o uniforme da companhia. “Chegam até a apontar na rua”, observa Anna. As policiais dizem que ainda é possível observar uma certa desconfiança da sociedade em ver mulheres atuando na Cigcoe. “Alguns acham que não vamos dar conta do serviço, até chegam a desconfiar da sexualidade, mas aqui dentro há o respeito dos companheiros de equipe, onde acredito já ter conquistado o meu espaço”, afirma a cabo Karolina que já está há  sete anos na PM e há pelo menos quatro anos e meio na Cigcoe.

Foto: Edemir Rodriguês“No começo foi engraçado, logo que entrei na companhia não se via mulheres, éramos ainda em menor número que hoje”, conta a cabo. Além dela e da irmã outras três policiais femininas fazem parte da Cigcoe, porém todas estas atuam em funções administrativas.

As irmãs dizem que dentro da companhia não há distinção de tarefas para elas porque são mulheres. “As atividades físicas são as mesmas, a única diferença é que não fazemos barra”, afirma a soldado Anna Stegun. Além disso, a cabo Karolina já atuou como instrutora de natação para soldados da companhia. Nas atividades diárias de policiamento as policiais também estão em conjunto com os homens. Elas explicam que apenas a cabo Karolina atua no policiamento realizado na rua, uma vez que faz parte da Rotac; Anna trabalha no esquadrão anti-bombas com os cães e no policiamento em eventos, também com os animais.

Outra ressalva colocada na atuação das policiais é em operações realizadas dentro do presídio masculino de segurança máxima da Capital. “Porque lá a tensão psicológica é muito grande e atuação da Cigcoe acontece no choque, em casos de rebeliões”, explica a cabo.

Família

Foto: Edemir RodriguêsAs irmãs contam que se sentem orgulhosas de atuar na Cigcoe e fazerem a diferença como mulheres na companhia. Anna Stegun, que está na PM há quatro anos e há dois na Cigcoe, afirma que o fato da irmã mais nova Karolina já estar na companhia também pesou na hora de se candidatar como voluntária para a transferência. “E também porque sempre quis trabalhar com cães, logo que entrei na PM esse era o objetivo”, diz a soldado membro da Roca.

Ambas dizem que a atuação na companhia não atrapalha o lado familiar: Karolina tem um filho  de pouco mais de um ano e Anna está no quinto mês de gestação. “Mesmo depois de ter o meu filho não quis largar a atuação na Rotac, gosto de atuar na rua e tenho também minha mãe que sempre se dispôs a ajudar com o meu filho”, diz Karolina. Anna conta que um pouco de sua rotina na companhia vai começar a mudar por causa da gravidez, mas o trabalho não será deixado de lado.

“Logo que entrei na polícia não tinha noção do que era o militarismo, até porque ninguém na família fazia parte da PM. Quando entrava em formação para cantar o hino já sentia um arrepio e sabia que era isso mesmo que eu queria fazer. Hoje posso dizer que estou realizada profissionalmente”, conclui a cabo.