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Sidrolandia

Jovem foi morto em briga de gangues que já dura 7 anos

Segundo Geracina, o confronto de gangues teve início em 2003, quando um rapaz chamado Wellignton, conhecido como “Tom”, foi assassinado.

Campo Grande news

13 de Julho de 2010 - 13:40

Luciano Ferreira de Jesus, de 18 anos, conhecido como “Tchola” foi mais uma vítima de rixa entre gangues dos bairros Parque do Sol e Dom Antônio Barbosa, que já dura pelo menos 7 anos, segundo moradores.

Geracina Pereira da Silva, 48 anos, já perdeu três filhos nos confrontos: Laerte da Silva Valadares, 19 anos, Lenon Veríssimo Valadares, 17 anos e Lucas Valadares, 16 anos. O outro filho, Luan Veríssimo Valadares, 18 anos, está preso desde sábado, após ter participado de um roubo em uma chácara na região da Gameleira, junto com Luciano.

Segundo Geracina, o confronto de gangues teve início em 2003, quando um rapaz chamado Wellignton, conhecido como “Tom”, foi assassinado. Ele era amigo de Laerte Valadares.

Desde então, os confrontos são constantes, sempre integrantes de uma gangue contra a outra, para vingar a morte dos colegas vitimados pela rixa.

Segundo os moradores, transitar de um bairro para o outro é um ato perigoso. Geracina afirma que Luciano era amigo dos filhos dela desde criança. “Era como se fosse um filho”, diz. Ela conta, inclusive, que ontem à noite uma amiga ligou para Luciano e o chamou para ir à casa dela, para onde acredita que ele seguia quando foi morto. A intenção de Geracina era conversar com ele para saber notícias do filho, que está preso.

Fogos – Amigos de Luciano afirmam que os autores do homicídio moram no Dom Antônio. Segundo eles, ontem à noite houve queima de fogos para comemorar a morte de Luciano. Ainda nesta manhã é possível escutar estalos vindos de outro bairro vizinho, o Cidade de Deus.

“É que o pessoal do Dom Antônio e do Cidade de Deus são amigos”, explicou Rosângela do Amaral, 23 anos que era amiga de Luciano.

Ela diz que tem uma sobrinha de 14 anos, que é ex-namorada de Luciano e que, por isso, apanhou com tapas no rosto, de três rapazes do bairro Dom Antônio. “Chegaram batendo na minha cara”, diz a menina. Segundo ela, a agressão foi em uma quarta-feira, dia em que ocorre a feira livre.

Debandada – A ação de gangues assusta os moradores do Parque do Sol e vários estão deixando a região. O medo impõe silêncio. As pessoas dizem que não viram ou escutaram nada no momento do crime e um morador, que afirma ter escutado os disparos, alega que não viu a cena ou os suspeitos.

Uma moradora que não quis se identificar reclama que a Polícia faz rondas apenas no Parque do Sol e “se esquece “ do bairro Dom Antônio Barbosa. Ela disse, inclusive, que já “vendeu a casa a preço de banana” e há duas semanas deixou o bairro, porque o filho vinha sofrendo ameaças. Nesta manhã estava no local para o velório de Luciano.

Um vizinho de Luciano, que tem 30 anos e é mestre-de-obras reforça que a morte foi motivada por rixa de gangues: “Fazer o que, é comum. Mas é uma coisa que eu não quero para um filho meu”. O morador diz que “tudo começou com uma morte”, referindo-se aos irmãos Valadares. E avisa: “Vai morrer gente ainda, depois desse vem outro, escuta o que estou falando”.

Com cinco filhos, o mestre-de-obras diz que a intenção é concluir a reforma da casa para vender e se mudar para um sítio com a família.

Os bairros ficam localizados na saída para Sidrolândia, em uma das regiões mais carentes da cidade.