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Sidrolandia

Júlio enfrenta o desafio de tirar Paranhos das últimas posições do IDH e PIB

O desafio é o de tirar a cidade do isolamento geográfico e econômico.

Flávio Paes/Região News

15 de Janeiro de 2013 - 08:19

Nos próximos quatros anos o professor de biologia Júlio Cesar Souza tem pela frente uma tarefa maior é mais desafiadora que a das urnas. Ao vencer a eleição em outubro, rompeu com 16 anos de dominação do PSDB na política local, se tornando aos 33 anos, prefeito de Paranhos. Desde 1º de janeiro seu desafio é o de tirar a cidade do isolamento geográfico e econômico.

Não é uma missão fácil num município que só em 2012 passou a ter acesso asfaltado a Campo Grande, que está a quase 500 quilômetros de distância. A cidade faz fronteira seca com o Paraguai, limitando-se com uma região onde o cultivo de maconha é disseminado, embora as forças policiais paraguaias venham atuando fortemente na erradicação das lavouras. A localização geográfica não dá ao município uma logística atrativa para os investimentos. A Prefeitura tem uma receita mensal de R$ 1,8 milhão.

Paranhos, que foi  emancipada há 24 anos, tem 12 mil habitantes, 40%, são índios guarani-kaiowas. Eles reivindicam a ampliação das suas atuais reservas, gerando zonas de conflitos com fazendeiros que ocupam as áreas, muitos, com títulos de propriedades emitidos pelo Governo. A base da economia local é a pecuária. A área plantada com soja, a atividade agrícola mais relevante economicamente, caiu de 10.500 hectares em 2005, para os 1.200 hectares plantados na atual safra.

Portanto, são muitos os obstáculos a serem ultrapassados para tirar Paranhos das últimas posições dos indicadores sociais ( tem o 75º pior IDH do Estado, 0,676) e econômico (seu Produto Interno Bruto é só o 69º, R$ 71,2 milhões). O maior empregador é a própria prefeitura, com 600 funcionários, garantia da injeção mensal de R$ 600 mil com o pagamento de salário.Outra importante ferramenta para garantir a circulação de R$ 313 mil, é o dinheiro da transferência de renda do bolsa família que beneficia 1.421 famílias, o equivalente a quase 50% da população. 

Paranhos é uma cidade em construção. Como não há matadouro municipal, nem todo dia tem carne na cidade, que é trazida de Amambai, cidade a 120 quilômetros. A alternativa é um risco para a saúde pública, que é recorrer ao abate clandestino. O rol de problemas atinge a segurança pública. A cidade está sem delegado há mais de um ano, depois que o antigo titular, passou num concurso e se transferiu para Brasília.

No curto prazo, o prefeito pretende reativar a fecularia existente na cidade, que quando funcionou na plenitude, chegou a gerar 25 empregos diretos, além de beneficiar a farinha produzida nos assentamentos e pelos índios. Hoje esta produção sai in-natura para indústrias em cidades ou estados vizinhos. Júlio Cesar tenta atrair para a cidade, a Indústria Pinduca, que tem posição de liderança no mercado.

Na avaliação do prefeito  a redenção de Paranhos depende fundamentalmente da execução de duas obras rodoviárias: a pavimentação da rodovia Sul-Fronteira, que literalmente vai colocar a cidade no mapa. São 337 quilômetros, partindo de Sanga Puitã (em Ponta Porã), passando por Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e daí chegando à divisa com o Paraná.

A obra deve ser retomada ainda este ano. A outra rodovia é em território paraguaio. É o asfaltamento da estrada que liga Curuguaty a Ypêjhú,  lugarejo que faz divisa com a cidade. Com esta pavimentação, o prefeito acredita que Paranhos pode abrigar um porto seco e assim tornar-se um corredor para a importação e exportação para o Mercosul

A cidade é o ponto mais próximo da fronteira para se chegar a capital paraguaia, Assunção, bem como a países como Argentina e o Chile, para quem está em 25 de estados brasileiros. De Ypêjhú e Paranhos até a capital paraguaia são apenas 308 quilômetros, sendo que de Pedro Juan Caballero, na divisa com Ponta Porã no Brasil a distância gira entorno de 540 quilômetros e de Ciudad Del Este, na divisa com Foz do Iguaçu, no Paraná são aproximadamente 460 quilômetros até a capital do país vizinho.

“Paranhos e toda a região Cone Sul serão beneficiados com este asfalto ligando Ypêjhú a Curuguaty. Será uma grande oportunidade para o desenvolvimento de nosso município e da região dos dois lados da fronteira”, destaca o prefeito.