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Sidrolandia

Justiça intima cinco suspeitos do sumiço de Eliza para audiência

Além de Bruno e "Macarrão", responderão perguntas do juiz nesta quinta o ex-policial "Bola", suposto executor da jovem

Abril

19 de Julho de 2010 - 13:30

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) intimou na manhã desta segunda-feira (19) cinco suspeitos de envolvimento no sumiço de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, para uma audiência de instrução nesta quinta (22).

De acordo com a assessoria de imprensa do TJ-MG, o juiz Elias Charbil, da Vara da Infância e Juventude de Contagem, estabeleceu a audiência para ouvir o goleiro Bruno; seu amigo Luiz Henrique Romão, o "Macarrão"; o ex-policial Marcos Aparecido dos
Santos, o "Bola"; e o primo do goleiro, Sérgio Rosa Sales. José Carlos da Silva, que mora no Rio de Janeiro, deve prestar esclarecimentos por carta precatória.

O menor de idade, outro primo de Bruno, também deve estar presente no tribunal, mas não será ouvido. Segundo o TJ-MG, os outros cinco intimados serão obrigados a comparecer e a responder às perguntas do juiz.

Bruno acusa "Macarrão"
Em um vídeo filmado por policiais e exibido no domingo (18) pelo programa "Fantástico", da Rede Globo, o goleiro disse que "Macarrão" foi quem comandou todo o crime e disse ao jogador apenas que havia entregue
dinheiro para que Eliza viajasse e não falasse mais com o goleiro. Antes de desaparecer, ela insistia para que o goleiro assumisse a paternidade de uma criança, que agora está sob a guarda da mãe da garota.

"Não sei o que deu na cabeça dele. Pelo que estou vendo, tudo em volta, tudo o que está acontecendo, estou chocado", afirmou Bruno no vídeo. "Hoje, com todos os fatos que tem, é difícil acreditar nele", complementou o goleiro.

Bruno também negou envolvimento no sumiço de sua ex-amante e desqualificou a relação que teria resultado em um filho, afirmando que só esteve com ela uma única vez.

"Estavam ela e mais quatro amigas, e eu com meus amigos. Nesse dia, aconteceu. Ela ficou comigo e com vários amigos também.”

Esposa do goleiro muda versão
A mulher do goleiro, Dayanne Souza, mudou informações passadas à
polícia em depoimento dado na sexta (16), de acordo com o jornal “O Dia”.

No novo depoimento, ela disse que encontrou Eliza duas vezes no sítio de Bruno. A primeira, no dia 7 de junho, quando a jovem já estaria machucada. Dayanne disse que o contato foi intermediado pelo goleiro e que houve uma conversa sobre a compra de um apartamento para Eliza.

O segundo encontro, de acordo com Dayanne, aconteceu no dia 10 de junho – quando Bruno revelou ter medo de que Eliza o denunciasse por sequestro.

O depoimento contradiz a data indicada por outras duas testemunhas como dia da suposta execução de Eliza. Segundo o depoimento do primo adolescente de Bruno, o assassinato da jovem teria ocorrido no dia 9. De acordo com a publicação, Dayanne contou que Eliza foi levada do sítio na noite do dia 10.

Entenda o caso
A ex-modelo Eliza Samudio, de 25 anos, desapareceu no dia 4 de junho deste ano. O último contato conhecido dela foi com a advogada Anne Faraco, que acompanhava o processo de reconhecimento da paternidade do filho de quatro meses que a jovem dizia ser de Bruno Fernandes, goleiro do Flamengo.

No telefonema à advogada, Eliza avisou que iria a Minas Gerais encontrar o jogador. Segundo ela, Bruno havia concordado em fazer um exame de DNA.

Em 2009, a modelo tinha levado à imprensa do
Rio de Janeiro a notícia de que estava grávida de Bruno. A criança teria sido concebida no primeiro encontro dos dois em um churrasco em maio do ano passado, quando o atleta já era casado com Dayanne Souza.

Em outubro, Eliza denunciou ameaças de Bruno, que a pressionava a abortar. A
Justiça determinou que o atleta mantivesse, pelo menos, 300 metros de distância dela.

Em fevereiro deste ano, quando o bebê nasceu, a ex-amante passou a negociar as condições para que Bruno assumisse a paternidade. Ela batizou a criança com o mesmo nome do jogador.
Um mês depois, Eliza foi ao Rio e enviou uma mensagem para sua advogada: "Estou no mesmo hotel que fiquei aquela vez, se acontecer algo, já sabe quem foi". O advogado do jogador rejeitou o acordo proposto por ela na ocasião.

Em 24 de junho, a Delegacia de Homicídios de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, onde ficava o sítio de Bruno, recebeu uma denúncia de que Eliza havia sido levada para o local, onde teria sido assassinada. Foi quando as polícias do Rio e de Minas Gerais começaram as buscas por Eliza.

Dois dias depois, a mulher do jogador, Dayanne, foi autuada “por subtração de incapaz” por ter entregado filho de Eliza a uma amiga.

No dia 28 de junho, a
polícia de Minas Gerais fez as primeiras buscas no sítio do atleta. No dia seguinte, a perícia encontrou vestígios de sangue no carro de Bruno. O veículo havia sido retido no Estado por falta de licenciamento em uma blitz no dia 8 do mesmo mês. Mais tarde, um exame mostrou que se tratava do sangue de Eliza.

A testemunha-chave do caso, um adolescente de 17 anos, que é primo do goleiro, apareceu em 6 de julho e confirmou ter participado do seqüestro de Eliza, ao lado de Luiz Henrique Romão - mais conhecido como Macarrão, que é funcionário de Bruno.
No entanto, o garoto prestou depoimentos conflitantes sobre o caso para a
polícia Civil e o Ministério Público do Rio.

O primeiro depoimento deflagrou o pedido de prisão temporária de Bruno e de Macarrão. Na ocasião, o adolescente contou que, após atacar Eliza dentro de um carro, ele e o funcionário do goleiro seguiram viagem diretamente para o sítio do jogador. O menor disse ainda que Bruno só teve contato com Macarrão e Sérgio (que vigiava Eliza no sítio) por duas horas.

Na segunda versão, o primo do jogador disse que, após o seqüestro, ele, Macarrão e Eliza foram primeiro para a casa do goleiro, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio, onde ficaram por dois dias. Bruno não estava na casa, segundo o adolescente, pois se preparava com o time do Flamengo para uma partida do Campeonato Brasileiro naquele final de semana, mas depois encontrou o grupo em Minas e permaneceu lá por três dias.

A participação da esposa do goleiro no caso também sofreu alterações entre os relatos. No primeiro depoimento, o adolescente só a viu no sítio após o crime. Mas, na segunda versão, o menor de idade disse que ela já estava no local quando eles chegaram. Apesar disso, ele não confirmou a presença do casal no momento do assassinato de Eliza.

O ponto comum dos depoimentos é que Eliza foi levada do sítio do jogador para outro local, no município de Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte. Ali, Eliza teria sido entregue ao traficante e ex-policial civil Marcos Aparecido do
Santos, conhecido também como Bola, Paulista e Neném. Ele teria sido o responsável pela morte de Eliza, por estrangulamento.

O adolescente disse ainda que o traficante desmembrou a mulher e deu as partes do corpo dela para que cachorros comessem. Segundo informações da
polícia de Minas, Bruno teria acompanhado a entrega de sua ex-amante ao criminoso e presenciado o assassinato.

Bruno, sua esposa, e Macarrão, além de outras pessoas envolvidas no crime, tiveram sua prisão temporária decretada após o encerramento do depoimento do adolescente, no dia 6 de julho. Já Bola, o ex-policial suspeito do assassinato, foi preso dois dias depois, em Belo Horizonte.

O jogador e seu funcionário já foram indiciados pela
polícia do Rio, pelo sequestro ocorrido em junho deste ano e, pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ), por sequestro, cárcere privado e lesão corporal, por conta do incidente de 2009, onde teriam tentado forçar Eliza a abortar a criança que ela carregava.