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Sidrolandia

Lixões clandestinos se multiplicam pela Capital e aumentam risco de novas epidemias

Multa para quem jogar lixo em local irregular chega a R$ 7,3 mil.

Midiamax

29 de Novembro de 2016 - 14:46

Campo Grande tem um aterro, mas em uma volta pela cidade é possível constatar o contrário. O descarte irregular do lixo deu origem aos chamados lixões clandestinos, encontrados em todas as regiões da cidade. Em tempos de chuva, o acúmulo de lixo em regiões inadequadas pode trazer mais perigos, principalmente com a chegada do período de chuva, que começa dia 21 de dezembro - início do verão.

O problema é a combinação lixo mais água parada, cenário ideal para a reprodução do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Dengue, Zika Vírus e Febre Chikungunya. Além do acúmulo de vetores. A preocupação é a maneira incorreta com que os lixos são descartados, e acabam acumulando água. Nos lixões clandestinos à céu aberto, espelhados pela cidade, tem ruas imundas pelo resto de lixo e descarte irregular de móveis usados, entulhos, pneus, carcaças de animais e até vasos sanitários.

Essa situação é vivenciada em todas as regiões da cidade. Na zona leste, o problema se acumula na região do Parque dos Poderes. As vias sem pavimento se misturam com o lixo. O local parece ser famoso para o descarte de resto de material de construção, levando em consideração a grande quantidade de entulhos. Na Avenida Wilson Paes de Barros, que fica atrás ao aeroporto de Campo Grande, a situação é ainda pior: Todo o trecho está tomado pelo lixo.

No Jardim Canguru, na região sul, uma moradora contou que quer virar fiscal do bairro para evitar que o lixo fosse jogado em uma área pública da região. “A área está sem uso, poderia ser uma Praça, mas não é, mas não é por isso que vamos jogar lixo lá. Eu fico cuidando, se vejo alguém levando alguma coisa já corro pra impedir”, narrou a moradora Vânia da Cruz.

Cansados de conviver com a sujeira, moradores do bairro Monte Alegre criaram uma placa de alerta para tentar coibir o descarte de lixo na rua dos Pereira, próxima a Avenida Guaicurus. “Para os porcos. Você está sendo filmado e receberá em casa a multa. Comunidade denuncie através de foto da placa no grupo do bairro”.

O aviso foi ignorado e montanhas de lixo vão se acumulando no local. Até resto de insumo de açougue foi jogado no lugar, e o cheiro no local é insuportável.

Punição - Para resolver a situação e tentar evitar uma nova epidemia, o secretário municipal de saúde, Ivandro Fonseca, avisou que em dezembro a prefeitura com a ajuda da Polícia Civil e Vigilância Sanitária, vai realizar blitz pela cidade em busca de flagrantes de descarte irregular do lixo. Os flagrados serão presos e autuados. As multas podem chegar a R$ 7,3 mil.

A fiscalização intensa, de acordo com Ivandro, é uma forma de alertar a população sobre o crime ambiental que é jogar lixo em vias públicas. “Até as ruas que receberam limpeza voltaram a aparecer suja. É uma questão de educação”, disse.

Para se ter ideia da quantidade de lixo que é jogado nas ruas de Campo Grande, somente de janeiro a outubro deste ano, a a equipe de limpeza da Seinthra (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação) retirou 35.758 mil metros cúbicos de lixo das sete regiões urbanas da Capital. Essa quantidade equivale a seis campos de futebol que estivessem tomados por dois metros de altura de lixo. Para recolher esse montante de lixo foi necessário fazer mais de 2,5 mil viagens de caminhão.