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Sidrolandia

Lula critica São Paulo por atraso em concessão de licenças ambientais

Ele disse que não se pode esperar por burocratas com a "bunda na cadeira". Governo de SP analisará declaração do presidente antes de se manifestar

G1

16 de Julho de 2010 - 15:01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira (16), em Diadema (SP), o Estado de São Paulo, governado pelo PSDB,  pela demora em conceder licenças ambientais.

"Eu falei para o Mauro Reali (PT, prefeito de Diadema), que ele deveria ter feito crítica à pessoa do Estado que tem de dar licença ambiental para fazer as coisas aqui. Não é apenas em Diadema que licenças não saem, mas em vários locais deste estado ", afirmou. "Me parece que tem uma pessoa, que não sei quem é, que cria dificuldade com a licença ambiental para a gente fazer as coisas", completou Lula.

O presidente participou da inauguração de um conjunto habitacional na Favela Naval, em Diadema. A favela ficou conhecida na década de 1990, quando um policial militar matou um morador em frente a uma câmera sem perceber que estava sendo filmado. O policial foi condenado pelo crime.

Eu sei que a gente é governo, que a gente tem que ter diplomacia, tem que ter um linguajar adequadado, mas estou quase deixando de ser presidente e vou voltar a falar do jeito que eu sempre falei"
Presidente Lula

Ainda quando criticava o governo paulista sobre as licenças ambientais, Lula citou os burocratas que ficam com a "bunda na cadeira" e disse que quando acabar o mandato poderá voltar a falar sem se preocupar com a diplomacia.

"A gente no governo federal briga muito. A passagem nossa pela vida é curta e a gente não pode ficar a vida inteira esperando a vontade de um burocrata, que tá com a bunda na cadeira, sem se preocupar com o povo desse país (...) Eu sei que a gente é governo, que a gente tem que ter diplomacia, tem que ter um linguajar adequadado, mas estou quase deixando de ser presidente e vou voltar a falar do jeito que eu sempre falei".

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Diadema, Lula fez referência ao licenciamento ambiental de São Paulo porque, de acordo com a assessoria, a obra do conjunto habitacional teve dificuldades para obter licença.

A assessoria de imprensa do governo do Estado de São Paulo informou ao G1 que o governo paulista analisará as declarações do presidente sobre o licenciamento ambiental para decidir se irá se manifestar.

Logo após criticar o estado de São Paulo, o presidente afirmou: "Nós passamos 500 anos sendo tratados como se fôssemos pessoas de terceira categoria ou de quarta categoria. (...) Nós aprendemos que é bom tomar café, almoçar e jantar. (...) Nós estamos aprendendo isso e nós não queremos retrocesso neste país".  

No discurso, Lula comparou sua gestão com a anterior. "Quando eu cheguei à Presidência, tinha R$ 380 bilhões de crédito no Brasil inteiro. Hoje, a gente libera R$ 1,5 trilhão de crédito".

Durante o discurso, presidente também mencionou a viagem que fará ao Rio nesta sexta-feira, mas não disse o que irá fazer na capital fluminense. Ele participará de um comício junto com a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, e o governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição.