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Sidrolandia

Maranhense é considerado um dos precursores da arte moderna no país

G1

19 de Setembro de 2012 - 14:00

m maranhense é considerado como um dos precursores da arte moderna no Brasil. Mas apesar de ter deixado uma vasta obra que reúne esculturas e pinturas, ele é pouco conhecido em sua própria terra. Para lembrar a vida e a obra do artista plástico Celso Antônio Silveira de Menezes, o escritor e pesquisador Eliézer Moreira resolveu escrever um livro, lançado em São Luís.

Obras que imortalizaram um artista que teve tanta influência nas artes plásticas do país no começo do século XX. Celso Antônio Silveira de Meneses é maranhense, nasceu na cidade de Caxias, em 1896 e morreu no Rio de Janeiro em 1984, aos 88 anos.

Apesar de ser um dos expoentes das artes plásticas, Celso Antônio quase não é lembrado, principalmente no Maranhão. A única obra do artista em São Luis é o busto de Antônio Lobo, que fica no largo da igreja e do seminário de Santo Antônio, no centro da cidade.

Para relembrar a vida e a obra de um dos gênios da arte brasileira que estava esquecido, o pesquisador e escritor Eliézer Moreira lançou um livro sobre o maranhense que foi pintor, desenhista, mas se tornou conhecido pelo talento de escultor.

“Fiquei extremamente surpreso em saber como um homem celebrado, tão genial é desconhecido em sua terra. Aí resolvi mergulhar em sua vida e obra, pesquisando e conhecendo a família do Celso”, explicou o escritor Eliezer Moreira, autor do livro.

Celso Antônio chegou ao Rio de Janeiro em 1913. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes e depois foi estudar na França. Em Paris, conviveu com outros brasileiros que já militavam na arte como Di Cavalcanti, Villa-Lobos, Anita Malfaltti e Tarsila do Amaral.

De volta ao Brasil, nos anos 20, morou em São Paulo onde esculpiu o monumento ao café em campinas e bustos de pessoas que formavam a elite paulista da época. Fez ainda esculturas que ornamentam até hoje o Cemitério da Consolação.

No Rio de Janeiro, um dos os mais importantes trabalhos de Celso Antônio foi a construção do Palácio Capanema que uniu arquitetura e arte.

Mas foi a estátua do trabalhador a obra que maiss deu o que falar. A polêmica começou porque o presidente da República na época queria uma estátua clássica... O maranhense, envolvido com o modernismo fez o contrário. Criou a escultura de um trabalhador autêntico, simples, com um rosto marcado pela miscigenação e ainda com um avental.

Provocou críticas e a estátua ficou muito tempo guardada até ser levada para Niterói, onde está exposta. “Criou uma grande polêmica nacional, sobre a discussão do que é belo. O que vale na arte é o belo ou a técnica, a concepção? Isso despertou uma discussão que continua até hoje”, acrescentou Eliézer.

O maranhense Celso Antônio se tornou um dos nomes mais importantes da escultura brasileira por usar a arte como forma de expressar ideias... sonhos... “Ele é o iniciador da arte moderna brasileira e como todo pioneiro, é uma mistura de Deus com o diabo. Por um lado ele é uma personalidade ‘maldita’ e por outra um ser sobrenatural, que ninguém entende. De tal maneira, que ele termina não morrendo e sim desaparecendo”, disse o artista plástico Jesus Santos.

“Esse é um momento muito importante para as artes maranhense e de Caxias. Lá ele já é homenageado como patrono da cadeira de número 17, que leva seu nome”, explicou Jacques Medeiros, membro da Academia Caxiense de Letras.