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Sidrolandia

Obrigados a "ambuzar" doentes, enfermeiros podem entrar em greve

O próximo passo será agendar reunião da categoria e organizar uma mobilização. O sindicato não descarta a greve.

Campo Grande News

19 de Agosto de 2013 - 10:10

Na esperança de que o setor de emergência do HU (Hospital Universitário) reabra nesta segunda-feira, a Santa Casa de Campo Grande enfrentou mais um fim de semana de pronto-socorro lotado, situação que pode levar os enfermeiros a cruzarem os braços. De sexta-feira a hoje, 985 pessoas deram entrada na unidade.

De acordo com o diretor-técnico Luiz Alberto Kanamura, o excesso de pacientes na emergência fez com que os profissionais tivessem que manter o uso de ambú. O equipamento de respiração manual acaba sendo usado por horas para dar chances de sobrevivência aos pacientes.

Segundo o diretor, desta vez, não foi preciso transferir pacientes para outras unidades. Hoje, o HU deve reabrir o PAM (Pronto Atendimento Médico), interditado desde 29 de julho pela Vigilância Sanitária. “É uma esperança”, diz Kanamura.

As condições precárias de trabalho na Santa Casa remete a cenário de 2011, quando o MPT (Ministério Público do Trabalho) foi acionado pelos enfermeiros. “Eles têm ligado para falar da superlotação, da questão do ambú, da falta de condições de trabalho”, afirma o presidente do Siems (Sindicato de Enfermagem), Lázaro Santana.

Conforme o sindicato, o pronto-socorro tem seis respiradores, ou seja, a partir do sétimo paciente a respiração tem que ser manual. “Tem funcionário que ficou mais de cinco horas ‘ambuzando’ um paciente só”, relata o presidente do Siems.

Na teoria, o ambú é ligado ao balão de oxigênio e deve ser usado por poucos minutos para estabilizar os pacientes em estado grave. Neste curto período, o respirador hospitalar é calibrado para fornecer oxigênio. Caso seja mantido por horas, a respiração manual exige fôlego dos profissionais, são 60 bombeadas de ar por minuto.

De acordo com Lázaro Santana, o hospital não trabalha com reserva. Outra deficiência é quanto ao número de profissionais. “Não imposta se tem dez pacientes ou se tem 30, são três técnicos de enfermagem e um enfermeiro para a gerência”, salienta o presidente do sindicato. Segundo ele, seriam necessários, no mínimo, seis técnicos em enfermagem.

Lázaro Santana informa que a direção da Santa Casa já foi questionada quanto à sobrecarga de trabalho. O próximo passo será agendar reunião da categoria e organizar uma mobilização. O sindicato não descarta a greve.