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Sidrolandia

Procon confirma aumento de reclamações contra Telexfree, mas divulgadores se dividem

A grande maioria dos divulgadores ainda esperam que em terceira estância o desbloqueio da empresa aconteça e o trabalho de Marketing de Rede siga.

Midiamax

05 de Agosto de 2013 - 09:10

A situação de quem investiu no esquema financeiro da Telexfree em Campo Grande já provoca corrida judicial em busca de possíveis prejuízos. Enquanto alguns 'divulgadores' marcam para esta segunda-feira mais uma carreata em defesa da empresa, advogados e o Procon confirmam a procura por quem se considera vítima.

Segundo o Procon de Campo Grande, houve aumento no número de reclamações durante as duas semanas anteriores à decisão do Tribunal de Justiça do Acre, que rejeitou o recurso da empresa.

“Nós já trabalhávamos desde o início do ano com a prevenção para esse cenário. Se no mês de junho o número de reclamações no Procon era mínimo, em julho chegou a pelo menos 50 registros. O órgão terá ação para que o cliente tenha o retorno do valor investido e não ações do ressarcimento dos lucros prometidos” relata o superintendente do órgão de defesa do consumidor, Alexandre Monteiro.

Na primeira quinzena de junho foram registradas na Capital vinte reclamações no Procon de Campo Grande. Segundo os defensores da empresa, o número ainda é tímido, se comparado com a quantidade de divulgadores em Mato Grosso do Sul.

“Estou aguardando o andamento das coisas na Justiça e não descarto entrar com uma ação. Coloquei com um parceiro R$ 50 mil no negócio e não deu tempo de ter o retorno já que só ganhamos 80% do investido. No grupo de whats up da minha rede muita gente fala em fazer a mesma coisa se a empresa foi impedida de funcionar de vez”, diz o divulgador do Telexfree, Eduardo Marques, com atuação no interior do Estado.

Estima-se que no Brasil a Telexfree tenha um milhão e meio de pessoas ligadas a empresa por meio de redes. Conforme um levantamento noticiado pelo IG, em todo País 176 divulgadores já cobram na Justiça R$ 2,8 milhões, por prejuízos em investimentos feitos, lucros projetados e até danos morais.

“Só nas últimas semanas oito pessoas nos procuraram para consulta jurídica sobre a Telexfree. A iniciativa é recomendável, pois o advogado ajuda muito em processos com o acompanhamento e orientação ao cliente. Para o nosso escritório cabe o pedido de rescisão com ressarcimento do dinheiro investido e até dos lucros cessantes. Na nossa visão o divulgador também pode cobrar na Justiça danos moral, já que em muitos casos abandonou outra carreira por esta oportunidade de negócio”, comenta o advogado, Jayme Magalhães.

Para provar que seria economicamente viável, a Telexfree chegou a oferecer para a Justiça R$ 660 milhões como garantia para continuar no mercado, mas disse que o valor milionário indicado como fonte para indenizações seria 'o próprio valor da marca'.

A grande maioria dos divulgadores ainda esperam que em terceira estância o desbloqueio da empresa aconteça e o trabalho de Marketing de Rede siga.

“Não tive prejuízo. Amo Marketing Multinível, porém é como fazer um investimento qualquer. A única diferença nestas empresas atuais é a segurança de um retorno garantido. A Telexfree é a melhor e maior empresa de multinível já vista. Nunca vi algo igual, mesmo agora durante este período de turbulência. Quero voltar a trabalhar, e a maioria quer” afirma a divulgadora de Marketing Multinível', Márcia Costa, que já participou de redes na Polishop, Telexfree e BBom e sempre procura dividir os riscos na atividade com parcerias.

Telexfree é o nome fantasia da empresa Ympactus Comercial LTDA, que comercializa pela Internet pacotes VOIP (Voice Over Internet Protocol). A organização atua desde março de 2012 e passa por investigações em razão de ser vista como uma possível pirâmide financeira pela Justiça.