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Sidrolandia

Produtores esperam receber até amanhã crédito de R$ 60 mil antes de ir à Justiça para cobrar laticínio

Com a inadimplência da indústria de São Gabriel do Oeste, os produtores estão vendendo para o laticínio de Anhandui, que tem pago a produção em dia

Flávio Paes/Região News

02 de Novembro de 2015 - 09:10

Um grupo de 20 assentados, que produz em torno de 5 mil litros de leite por dia, estás na expectativa de receber amanhã R$ 60 mil do Laticínio São Gabriel, antes de entrar na Justiça para cobrar este crédito referente as entregas feitas em julho.

"Eles prometeram pagar na sexta-feira. Não fizeram o pagamento. A desculpa foi o feriado e que amanhã (terça-feira) vai estar na conta", informa Claudio Sartori, do Capão Bonito, um dos líderes do grupo que há uma semana esteve na Câmara Municipal pedindo apoio dos vereadores  para a ação judicial.

Com a inadimplência  da indústria de São Gabriel do Oeste, os produtores estão vendendo para o laticínio de Anhandui, que tem pago a produção em dia, atualmente em torno de R$ 0,93 por litro, mas o preço é sazonal, cai na safra (quando há excesso de produção) e tem o movimento contrário, na entressafra, quando o período de seca castiga o pasto e a produtividade dos rebanhos caem.

Como não há em Sidrolândia um laticínio (havia um de pequeno porte que fechou), os produtores ficam vulneráveis a pressão das indústrias, que no período de safra derrubam os preços, outras (como esta de São Gabriel), atrasam os pagamento. Esta oscilação acaba travando a expansão da atividade, muitos assentados abandonam a pecuária leiteira ou passam simplesmente a produção em pequena escala para produção de queijo caipira ou mesmo venda do leite sem pasteurização, de porta a porta.

O laticínio de Terenos, por exemplo, que é o maior do estado (pertence a BRF, holding que surgiu da fusão da Sadia e Seara), impõe um padrão de qualidade do leite que acaba derrubando o preço ao ponto de tirar a margem de lucro do produtor.

Os programas de apoio a produção, como o Balde Cheio do Governo do Estado (que forneceu kits para irrigação  de até 1 hectare  pastagem para formação dos piquetes para alimentação intensiva do gado  e assistência técnica), são vistos com ceticismo por parte dos produtores.

“É muita conversa e pouca coisa prática. Eles fazem muito reunião, a gente perde dias de serviço e não se vê nada de prática", desabafa Claudio Sartori,  que com uma média diária de produção de até 500 litros por dia, está no topo  da escala produtiva do setor, onde a maioria  não tem escala de produção comercial.

Na região do Eldorado, um grupo de produtores, mobilizados pelo vereador Marcos Roberto, busca apoio do Governo para implantar um laticínio numa área do núcleo urbano do assentamento.