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Sidrolandia

Quem cuida também lidera ranking de acidentes de trabalho no Estado

Se o material não tivesse perfurado seu dedo, durante atendimento a um idoso, não seria necessário iniciar protocolo que envolve exames.

Correio do Estado

12 de Novembro de 2015 - 09:53

Uma agulha e a enfermeira Ana, de 26 anos, terminou o plantão preenchendo uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Se o material não tivesse perfurado seu dedo, durante atendimento a um idoso, não seria necessário iniciar protocolo que envolve exames de sorologia como HIV e Hepatite C, além de monitoramento por seis meses.

Ainda que o nome da profissional seja fictício, a Previdência Social computa situações assim em um anuário. Os dados mais recentes, divulgados em 2013, situam a área hospitalar como a segunda atividade econômica com maior número de acidentes. Foram 850 ocorrências, ante as 1.293 registradas em frigoríficos no Estado.

A maior incidência entre os profissionais ocorre entre aqueles que não atuam como médicos ou odontólogos (18,05%), bem como os envolvidos com serviços complementares de diagnóstico e terapêuticos (13,26%). Os perfurocortantes, como as agulhas, figuram como vilões quando o assunto é acidente de trabalho na saúde.

O analista de gestão estratégica de qualidade hospitalar, Noriman Carvalho Brandão, pontua que o excesso de segurança do profissional em procedimentos de rotina não apenas o expõe a um risco desnecessário, mas interfere na eficiência de protocolos de segurança. Ele, que atua no Hospital da Unimed, aponta como solução um trabalho integrado onde o gestor entende a segurança como investimento e o colaborador de que faz parte desse processo apontando falhas a serem corrigidas.

Na Santa Casa, o departamento de Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (Sesmt) realiza avaliações da saúde ocupacional, programas de qualidade de vida e imunização, além da prevenção de riscos no ambiente de trabalho. Com essas ações os acidentes, conforme a chefe do setor Jeanne Morais, foram reduzidos em 44% nos últimos dois anos.

A sobrecarga de trabalho, associada a número insuficiente de profissionais ante a demanda, também precisa ser considerada. Carlos Roberto Garcia, presidente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) do Hospital Regional, avalia que a entrada de novos servidores contribuiu para que os acidentes fossem reduzidos em 70%, trazendo consigo efetiva mudança da cultura organizacional que inclui até mesmo o uso adequado de equipamentos de proteção individual.

ENGAJAMENTO TÉCNICO

Em análise semelhante a consultora de ambiente e segurança, Keyth Gimenez, complementa que o trabalho desenvolvido em ambientes hospitalares só será completo quando pautado pela lógica da prevenção. O reforço, neste caso, poderia vir pelo engajamento de técnicos de segurança do trabalho em formação.

O detalhe é que o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), do qual Kethy coordena curso técnico de segurança do trabalho, teve em dois anos somente quatro dos 120 profissionais formados inseridos na área da saúde. Todos desenvolveram soluções para hospitais como, por exemplo, para a lavanderia. A complexidade do setor e o salário médio inicial de R$ 1,4 mil, neste caso, seriam o empecilho para trazer reforço a outros profissionais que se dedicam a manter a saúde de quem se propõe a restabelecer a do próximo.