Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Sábado, 16 de Outubro de 2021

Sidrolandia

Reunião não avança e servidores penitenciários prometem "radicalizar"

Em cada plantão no local, o agente comenta que as muralhas ficam desguarnecidas, com no máximo um ou dois policiais militares monitorando.

Campo Grande News

06 de Agosto de 2013 - 13:49

A reunião para discutir a atual situação do sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul, após 1h30, terminou sem definição na manhã desta terça-feira (6). Por um lado, a categoria ressalta que as reivindicações são muito claras. Já o titular da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), Wantuir Jacini, informou que aguarda um posicionamento do governador André Puccinelli (PMDB).

Passados os dez dias, caso não haja nenhuma atitude, os servidores penitenciários prometem “radicalizar”. “Vamos suspender todo e qualquer atendimento nos presídios, não vai entrar advogado e muito menos parente de preso”, afirma o presidente do Sinsap/MS (Sindicato dos Servidores em Administração Penitenciária), Fernando Sanábria.

Segundo Sanábria, com a atitude dos agentes penitenciários, por enquanto, os presos estão tranquilos. “Com as celas um pouco mais vazias, eles até acham melhor. Mas se nada for feito, não vamos mais receber ninguém e eles é quem não vão gostar disso, inclusive querendo fugir e em seguida cometer crimes na cidade”, afirma Sanábria.

Um agente penitenciário que atua há 12 anos no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima, mas que prefere não se identificar, ressalta que o medo da categoria é uma fuga em massa na Capital, assim como ocorreu no dia 11 de Maio de 2006. “Por ordem do PCC, houve quebra quebra no Dia das Mães, em quatro presídios do Estado. Eles quebraram as portas e fizeram os agentes reféns”, relembra o agente.

Em cada plantão no local, o agente comenta que as muralhas ficam desguarnecidas, com no máximo um ou dois policiais militares monitorando. “Nossa obrigação é fazer a prevenção, mas não tem como porque, quando deveríamos ter 30, tem 10. Atualmente, estamos em pouquíssimos homens para cuidar de mais de dois mil presos”, comenta.

Na sexta-feira (1), o governador André Puccinelli (PMDB), anunciou a contratação de 230 agentes, número insuficiente de acordo com a categoria. “Precisamos de ao menos 600 homens. Em 2004, no último concurso de 134 vagas, apenas 118 foram nomeados. Nunca tem sobra e nós é que sofremos com isso”, finaliza o agente.

O Governo vem ressaltando que a situação é tranquila nos presídios. Na Capital, presos estão sendo transferidos para delegacias especializadas para desafogar as outras unidades.